Virando Gringa

Como fazer sua Carta de Motivação para Bolsa de Estudos/Intercâmbio


Viajar é legal, viajar com tudo pago é melhor ainda! Por isso, eu invisto muito do meu tempo procurando bolsas de estudo para conseguir unir o útil ao agradável, ou seja, melhorar meu currículo, e ainda conseguir uma ajudinha nas viagens.

Uma das melhores maneiras de viajar é morar em algum lugar. A gente aprende muito mais, e se integra na cultura local de forma muito intensa. Mas você também já sabe que nada cai do céu, então pode ir se preparando pois a documentação para bolsas de estudo é extensa!

A carta de motivação é uma parte muito importante no processo de obtenção de bolsas de estudo, porque é uma chance que o aluno tem de mostrar um lado mais pessoal, de mostrar “algo a mais” do que o Currículo apenas. Ela também serve para mostrar que você domina o idioma de destino (no caso de ser uma bolsa de intercâmbio, que é nosso foco aqui), além de permitir que o aluno inclua conquistas e realizações que nem sempre cabem no currículo, ou talvez necessitem de explicações mais longas.

Então, vamos lá….O que diabos escrever na tão temida carta de motivação?

Outros nomes para a carta de motivação são: carta de apresentação, carta de intenção, cover letter, motivation letter, carta de motivación, lettre de motivation – ou muitos outros nomes, no idioma de sua preferência.

Para ver exemplos de cartas, vá ao final do post, lá tem vários links!

Pontos importantes:

1. Seja você mesmo

O que eu quero dizer com isso? Não copie a carta do coleguinha!


Quando estava me candidatando a uma das quatro bolsas que consegui na graduação, eu sempre pedia cartas aos meus amigos, para me inspirar. Pois, vamos admitir, é mais fácil você se inspirar em algo do que começar do ZERO. Mas se inspirar não é copiar. Você pode usar a carta de seus colegas, ou cartas obtidas no mestre Google, para ter uma ideia do que escrever, para investigar vocabulário (palavras-chave), para investigar como se organizam os parágrafos, o que dizer primeiro, o que dizer por último, como finalizar, etc…Mas nunca, JAMAIS, copie.

Quem corrige esse tipo de documento sabe muito bem quando a gente mente. Geralmente são pessoas que fazem isso há anos, e acredite, se você copiar eles vão perceber.

Aproveite o momento de escrita da carta para se auto-avaliar, para se conhecer profissionalmente. Pense no que você tem de bom, o que faz de você um profissional de valor, o que diferencia você de outros colegas de trabalho ou de estudo.

2. Evite clichês

Ninguém aguenta mais ouvir coisas como:

  • Esse intercâmbio me deu uma nova visão do mundo” – dãr, todo intercâmbio supostamente faz isso.
  • Esse estágio me fez conhecer o mercado profissional” – dãr, esse é o objetivo principal de fazer estágio.
  • Só estou me candidatando a essa bolsa, porque ela é perfeita pra mim” – mentira, você está se candidatando a umas 239875 bolsas, e eles sabem disso!
  • Preciso dessa chance” – queridinha, os outros candidatos também precisam. Todos precisamos.
  • Tenha em mente que se houver uma entrevista os selecionadores podem lhe perguntar sobre coisas que você escreveu.

3. Atenção na Ortografia!

Preciso falar isso?!

Se vosse vice um erru no meu testo, você não pararia de ler na hora? Você não pararia de acreditar em mim?

Acho que já deu pra entender, né? Você estará concorrendo com centenas, às vezes milhares, de pessoas. Pelo amor de deus, não faça essa “auto-sabotagem” de se deixar escrever algo errado por distração. Faça revisão da carta, peça a um amigo para ler a carta, peça para sua mãe reler a carta, peça para seu cachorro reler, só não vale falar que ele comeu a carta depois…

Se for em idiomas estrangeiros, se atente EM DOBRO. A gente cria muitos vícios no aprendizado de um segundo idioma, e às vezes a gente tem certeza que aquela palavra se escreve “com dois fs”, “com z”, “com s”, e o erro passa batido.

Um truque que eu uso, mas é tão “gambiarra” que dá até vergonha de colocar no blog, é colocar o texto no Google tradutor depois de pronto. Não para traduzir, mas justamente porque ele não traduz palavras se elas estiverem ortograficamente erradas porque ele não as reconhece. Dessa forma, você joga no google e é como se ele fizesse um scan da sua carta e se perguntasse: “essa palavra existe no dicionário?“. Se a palavra não existir, ele não vai conseguir traduzir, e assim ele acaba apontando seu erro sem querer. Doido, né?

4. Conheça (muito bem) a Universidade onde vai

Isso é muito importante! Se você fizer a mesma carta “over and over again” e só mudar o nome da Universidade no começo, não vai parecer que aquela bolsa é especial. É por mais que eu já tenha dito que você não precisa dizer diretamente “essa bolsa é muito especial para mim”, eles querem VER isso nas entrelinhas da carta.

Outro detalhe muito importante: às vezes a gente quer tanto a bolsa, que fica querendo fazer tudo muito rápido, e não lê o Edital direito. Um caso muito engraçado desse problema aconteceu na University of Florida (Estados Unidos). Os alunos se candidataram e foram aprovados, ficaram super felizes. Mas o que eles não sabiam era que ANTES de começar o curso presencial eles teriam que fazer parte do curso pela internet por um ano! Ou seja, quem queria se mudar para a Flórida…oops, only next year!

Esse foi um erro da própria Universidade, que não deixou isso claro no Edital. Mas pode acontecer um erro semelhante com você, então…Leia sobre a Universidade para a qual está se candidatando.

E deixe claro que você conhece o trabalho deles. Talvez você encontre pesquisadores da sua área específica que vale a pena mencionar sua admiração. Talvez você encontre programas de voluntariado que você admira e queira “quem sabe um dia” participar se for escolhido para a bolsa…E coisas do gênero. Pesquise bastante, vale a pena.

5. Seja objetivo

Quem cursou Universidade pública, como eu, sabe que às vezes bate aquela tentação de encher linguiça. Bate forte.

A gente aprende muito que “trabalho longo é trabalho bom”, “escrever bastante mostra conhecimento”. MAS NÃO. NÃO É!

Quem está te selecionando