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Companhias aéreas britânicas terão que se transferir para a Europa depois do Brexit ou perderão rotas importantes, diz UE

Segundo o The Guardian, chefes da União Europeia (UE) alertaram as companhias aéreas, incluindo as nossas queridas low-cost EasyJet e Ryanair, de que precisarão mudar suas matrizes ou vender ações para empresas europeias se quiserem continuar com suas rotas aéreas dentro da Europa continental depois do Brexit.

Foto: The Guardian

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Executivos das principais empresas têm sido lembrados durante reuniões privadas recentes com funcionários que, para continuar a operar em rotas em todo o continente – por exemplo, de Milão para Paris – eles devem ter uma base significativa no território da UE e que a maioria de suas ações de capital deve ser propriedade da UE.

O resultado destes “avisos”, dias antes do desencadeamento do artigo 50, potencialmente torna mais provável que as empresas atuem para se reestruturar, com consequências econômicas para o Reino Unido, incluindo uma perda de postos de trabalho.

Contra-ataque

A linha dura da UE pode encorajar o Reino Unido a retribuir com as suas próprias regras restritivas, o que deixaria as companhias aéreas da UE enfrentando opções igualmente difíceis, potencialmente diminuindo seu investimento no Reino Unido no curto prazo, embora alguns possam procurar a tempo de estabelecer suas próprias subsidiárias britânicas.

A capacidade de empresas como a EasyJet para operar em rotas em toda a UE tem sido uma parte importante dos seus modelos de negócio e pode haver uma vontade renovada entre as companhias aéreas de investir fora do Reino Unido para manter a quota de mercado.

Algumas companhias aéreas já começaram a procurar uma sede alternativa e analisar como poderiam garantir que a sua participação é majoritariamente detida pela UE, possivelmente através da retirada quase forçada de acionistas britânicos, declara o The Guardian.

Outras esperam que a União Europeia diminua a rigidez, e no fim acabe formulando regras que agradem a ambos os lados economicamente.

Os assessores da UE foram claros, no entanto, sobre a rigidez das regras, em meio a preocupações em um nível sênior da UE de que muitos na indústria da aviação estejam “em negação” sobre as consequências da decisão do Reino Unido de deixar o bloco (UE).

Representantes da EasyJet, juntamente com representantes da IAG da British Airways, a Ryanair e o Grupo Tui, cujo portfólio de companhias aéreas incluem a Thomson, encontraram-se com a task force Brexit da UE na semana passada. Isso se deve a uma reunião realizada na semana anterior entre a tal força-tarefa e executivos da Air France-KLM, da Finnair, da Lufthansa e da SAS, como parte dos esforços da UE para se envolver com as partes interessadas, e resolver isso da melhor forma possível.

Thomas van der Wijngaart, especialista em aviação da firma jurídica Clyde & Co, disse ao The Guardian que pode haver conseqüências econômicas significativas para o Reino Unido, com as companhias aéreas mudando suas estruturas financeiras e operacionais e construindo uma presença mais forte no continente.

Pode ser que as operadoras escolham ter vôos domésticos [no continente] operados por sua nova licença de operação européia, o que provavelmente significaria uma redução no número de funcionários no Reino Unido“, alertou.

A Grã-Bretanha é membro de um acordo de aviação baseado em 35 partes da legislação da UE, um órgão regulador comum da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (European Aviation Safety Agency) e um tribunal em que faz parte da decisão sobre as regras compartilhadas, o Tribunal de Justiça Europeu (TJE). No entanto, perguntado durante uma entrevista coletiva na semana passada se o Reino Unido continuaria a fazer parte do acordo “Open Skies” (acordo entre várias companhias aéreas do mundo todo) depois do Brexit, o secretário de Estado, David Davis, disse: “Não esse acordo… presume-se que não se aplicaria a nós – não sabemos ainda se haverá um sucessor“.

A indústria espera que o Reino Unido e a UE sejam capaz de selar um acordo que garante que os danos para a indústria sejam os mínimos possíveis.

No entanto, um obstáculo no progresso de um novo acordo é a intenção de Theresa May de remover o Reino Unido da jurisdição do TJE, que atualmente tem o papel-chave no julgamento de conflitos entre as partes do acordo.

Alguns Estados-membros também podem ter interesse em se opor às tentativas britânicas de fechar um novo acordo. Diplomatas espanhóis, por exemplo, dizem que não vão assinar qualquer acordo internacional de aviação que reconheça o aeroporto em Gibraltar.

O Reino Unido poderia reagir à imposição de regras de propriedade da UE às companhias aéreas, desenvolvendo regras próprias de propriedade, o que poderia impedir companhias como a Ryanair, com sede na Irlanda, de operar em rotas domésticas no Reino Unido, como acontece hoje.

A EasyJet está criando uma empresa operacional na UE – a qual o anúncio é esperado dentro de algumas semanas – para que possa obter um certificado operacional da UE. A empresa insiste, no entanto, continuará a ser sediada no Reino Unido.

Palavra das empresas

A British Airways não faz vôos entre os países da Europa como fazem as low-cost, mas a sua empresa-mãe, a IAG, deverá retirar acionistas para ser maioritariamente detida pela EU, permitindo assim que as suas outras empresas registradas na UE continuem a operar em toda a Europa. Um porta-voz da IAG disse: “Vamos continuar a cumprir os regulamentos de propriedade e controle relevantes.”

Um porta-voz da easyJet disse: “Como outras companhias aéreas européias, a easyJet regularmente se envolve com o Reino Unido e a UE em uma ampla gama de questões que incluem o impacto da Brexit na aviação. Como esta foi uma reunião particular, não comentaríamos mais sobre o que foi discutido. ”

A Ryanair tem sede na Irlanda e não terá de deslocar-se, mas foi relatado que 60% das quotas de capital da companhia registrada em Dublin pertencem a empresas da UE. Isto será reduzido para 40% uma vez que os acionistas britânicos serão excluídos, tornando vital que aumentar sua relação com a UE para condizer com os novos regulamentos.

Um porta-voz da companhia disse que a empresa “se adaptaria”. No entanto, o presidente-executivo da companhia aérea, Michael O’Leary, já alertou sobre os enormes perigos para a indústria e criticou o “otimismo levemente lunático” do governo britânico sobre o assunto.

Um porta-voz da Ryanair disse: “Embora pareça que estamos indo para um desfecho difícil com o Brexit, ainda há uma incerteza significativa em relação ao que exatamente isso vai acarretar. Esta incerteza continuará a representar um desafio para o nosso negócio para o restante do ano de 2017 e também 2018. “

AGUARDEMOS OS PRÓXIMOS CAPÍTULOS!

© Este artigo é uma tradução livre da reportagem do The Guardian. Todas as informações pertencem a, e fora geradas por, The Guardian. Leia o original aqui.

 

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