Virando Gringa

Mochileiros e mapas: um caso de amor e ódio

Esse post foi a conclusão de longos minutos de ócio olhando para uma árvore em frente à minha casa. Por isso vale compartilhar.
Ao mesmo tempo que o mochileiro precisa do mapa, ele não quer precisar.
Ás vezes, nós (viajantes) queremos explorar uma cidade, de uma forma totalmente despretensiosa. Vagando, descobrindo as coisas aleatoriamente. Encontrando aquele restaurantezinho barato, numa viela, com a melhor comida que nós já provamos nos últimos tempos. E que ninguém mais vai conseguir achar de novo. E a gente gosta dessa exclusividade.
O mochileiro vaga pelas cidades, procurando essas experiências únicas, que podem ser contadas e re-contadas, mas nunca re-vividas.
Mesmo que você repita um destino, vá a algum lugar de novo, a experiência vai ser outra, você já vai ser outro.
O mapa deixa tudo em 2D. Colocar as coisas num plano faz parecer que é tudo simples, calculado, que nada é coincidência. Está tudo ali, é só seguir o roteiro.
É por isso que, às vezes, o mochileiro odeia o mapa.
Por outro lado, quando o mochileiro chega pela primeira vez em terras distantes, o mapa é uma puta  grande ajuda!
Muitas vezes, para poder chegar até aquele lugarzinho especial, o viajante tem que estar seguro o suficiente, andando por lugares conhecidos.
O que eu quero dizer é que, muita gente, para se dar a liberdade de sair do caminho típico, tem que ter o caminho bem definido, tem que saber pra onde voltar, antes de se perder.
Aí é que entra o mapa.
Quando nós saímos daquela viela, depois da melhor refeição dos últimos tempos, é bem útil dar de cara com a maior igreja da cidade, e se guiar até o seu albergue. Mas não é sempre que isso acontece.
Então, melhor aceitar que nosso amigo de papel está ali para ajudar, não pra tirar o nosso gostinho de aventura.
Mas, hey, use o mapa com moderação.
Afinal, “aquela vez que estávamos perdidos” é uma frase que inicia a maioria das melhores histórias.

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