Virando Gringa

Porque as mulheres podem, e devem SIM viajar sozinhas!

Viajar sozinha pode ser motivo de medo para muitas mulheres.  Vemos sim, casos problemáticos de mulheres viajando. Mas quantos casos de sucesso nós também já vimos?

Como diz a Carol do Projeto Vira Volta, “o que acontece com você com você durante uma viagem pode acontecer com você no caminho de casa até a padaria do mesmo jeito”, salvo raras exceções. Tanto o homem quanto a mulher tem que tomar os mesmos tipos de cuidados em viagens. O básico. Por exemplo, nunca, jamais, aceite algo que uma pessoa vem oferecer sem você pedir no meio da rua, e que pareça uma “ótima oferta”. Jamais. Você aceitaria no seu dia-a-dia um maluco chegando em você na rua oferecendo coisa? Provavelmente não.

Nunca, jamais hospede em casas de pessoas que você acabou de conhecer no bar. Ainda mais se você tiver consumido álcool. Seu julgamento vai estar prejudicado, você pode achar que aquela pessoa é legal na balada, mas você não sabem quem ela é!

E esses são só alguns exemplos.

Pequenas precauções são necessárias para todo e qualquer viajante. Todo mundo corre perigo. Mas isso não pode nos parar! Mulher pode viajar sim, e não é porque é mulher que tem que ficar se limitando. Tomando as devidas precauções todo mundo pode ir onde bem entender. Afinal, não podemos fazer com que o mundo pare de ser perigoso, mas podemos no adaptar a ele do melhor jeito possível.

Olha só esse texto da colega Letícia!

Viajar sozinha…Para muitas, um sonho. Para vários, um risco desnecessário”

mulher-viajando-sozinha-alemanha-praga“Um homem, viajando sozinho, é um aventureiro. Uma mulher, provavelmente será chamada de louca por assumir tal risco.

“Nessa semana fazem dois anos da minha primeira viagem sozinha, em que passei uma semana viajando pela Irlanda. Fiz essa viagem como um teste para um sonho que eu queria realizar. E como a experiência foi muito positiva e libertadora, no fim do meu intercâmbio parti pra maior aventura da minha vida”.

“Viajei 26 dias por 8 países da Europa. Sozinha! E essa escolha foi feita por vários motivos. Primeiro porque ficava difícil de conciliar o roteiro que eu queria com outros amigos. Ainda faltavam vários lugares da minha lista pra conhecer e eu não queria perder aquela oportunidade. Mas o que mais me motivou foi a liberdade e o autoconhecimento que só uma viagem dessas proporciona”.

Sabia que existiam riscos, mas mesmo assim, parti. Foram dias incríveis em que eu pude conhecer lugares com os quais eu sonhava lendo os livros de história, pude refletir e meditar com as paisagens encontradas no caminho, me divertir como nunca e acima de tudo, me sentir livre.

“Por estar na Europa, me sentia mais segura pra fazer certas coisas que eu nunca faria aqui, no Brasil. Eu andava sozinha em lugares desconhecidos, me perdia, me achava. Dormi em aeroportos, do lado de fora de uma estação de trem e até em um ponto de ônibus. Fui num festival de música, sozinha. Eu podia andar assim, vestido curto, de chinelo e mochilão e me sentir bem com isso”.

“Mas claro, nem tudo foram flores. O medo sempre estava ali. A desconfiança também. Em Istambul, última cidade que eu visitei, a sensação de segurança diminuiu bastante. Eu recebia olhares estranhos, respostas curtas e grossas, rostos carrancudos e até buzinadas de veículos do transporte público. Tudo isso por ser mulher, apenas.

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Eu chamava atenção, mesmo tentando me cobrir com uma calça jeans em um calor de mais de 30 graus. Quando eu cheguei na cidade, fui andar em uma das ruas mais movimentadas e conhecidas de lá. Parei pra tirar uma foto e nisso um homem me abordou. Começou a perguntar da onde eu era, minha idade, o que eu fazia ali”.

“Eu despistei, disse que estava com pressa e saí andando rápido até me perder em meio à multidão. Só parei após um tempo, depois de me certificar que eu não podia mais vê-lo. Pode ser que eu tive uma impressão errada dele. Vesti minha máscara da desconfiança pra me proteger. Precisamos estar com os sensores sempre ligados. Ou pode ser também que eu escapei de uma situação perigosa. Você até pode evitar certos riscos, mas a verdade é que para nós, mulheres, ele está sempre aí, em qualquer lugar. E em certas vezes não é possível perceber de imediato uma situação de risco e se uma pessoa tem má índole. As pessoas te enganam. Em outras ocasiões, a vulnerabilidade te faz tirar essa máscara de desconfiança e te faz querer acreditar que o mundo é feito apenas de pessoas boas. Como aconteceu com Maria e Marina, as argentinas assassinadas no Equador no começo de 2016. Muitos podem tentar diminuir a atrocidade cometida: elas facilitaram, assumiram o risco. À bem da verdade, o risco foi causado por aqueles homens e não assumido por elas. Elas foram vítimas de um mundo que não entende ainda que nós mulheres queremos liberdade e segurança para fazer coisas que são triviais aos homens. Viajar sozinha é uma delas”.

“Esse caso me fez pensar sobre como algo ruim poderia ter acontecido comigo nessa viagem”.

Em contrapartida sempre paro pra pensar como encontrei pessoas que me ajudaram pelo caminho. Pessoas boas.

“Um homem entregou meu passaporte que eu havia esquecido ao passar na imigração em Londres. Um ônibus inteiro me ajudou a chegar no meu hostel em Atenas. Conheci pessoas incríveis, com histórias incríveis. Conheci mulheres que, como eu, viajavam sozinhas”.

Eu tenho uma visão otimista de que o número de pessoas bem intencionadas no mundo é bem maior que aquelas má intencionadas.

“Você tem que estar aberto para perceber isso. Essa desconfiança que a gente cria com o mundo nos priva de conhecer muitas pessoas que podem nos agregar muito. Pessoas que querem fazer o bem. Eu sempre tento mentalizar que no meu caminho só vou encontrar essas pessoas, mas eu sei que isso não vai me impedir sempre de cruzar com alguém que queira me machucar”.

“É triste que sejamos desencorajadas por histórias como essas. E é triste pensar que ainda temos muitas limitações apenas por sermos mulheres”.

“Apesar disso, ainda pretendo viajar sozinha pelo Brasil e pela América Latina. E quando eu puser minha mochila nas costas de novo pra viajar sozinha, espero que meu sonho não se torne um pesadelo. Não vou deixar isso me parar”.

Quanto mais as mulheres saírem pelo mundo, menos perigo estaremos passando, pois, estaremos juntas na busca pela simples liberdade de ir e vir.

Por Letícia Cristina da Silva (adendos e fotos de Juliana Arthuso)

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