Virando Gringa

O que é Síndrome do Regresso?

A “tal” da crise lá fora, está fazendo muita gente voltar a viver no Brasil na última década.
Segundo o Itamaraty, 20% dos brazucas que moravam nos Estados Unidos, e um quarto dos que moravam no Japão, retornaram ao Brasil desde o começo da recessão, em 2008.
Um relatório de 2011 sobre a população expatriada mostrou uma grande taxa de retorno de pessoas. Por mais paradoxal que isso pareça, já que todo mundo está falando que o Brasil está crescendo, e está cheio de oportunidade, etc….Há tanta dificuldade de reintegração ao mercado de trabalho brasileiro que o Itamaraty lançou o “Guia de Retorno ao Brasil“, distribuído nas embaixadas.
Voltar pro Brasil pode deixar muita gente com depressão. Principalmente os jovens. Acontece que a maioria de nós vai pra Europa pra estudar, e a vida de estudante é muito diferente da que teríamos aqui.

Pensando bem, tem pontos muito similares, e pontos muitos diferentes. Por um lado, você tem mais oportunidade de viagem, umas festas muito mais doidas, você tem mais segurança, precisa menos do carro na maioria dos casos, e tem um custo de vida bem menor.
Por outro lado, não tem aquele jeito brasileiro de festejar. E muita gente se incomoda com o frio. Eu amo.
Bom, tanta gente andou reclamando, que criou-se a chamada “Síndrome do Regresso”. É tipo aquela “depressão pós-Porto-Seguro” que o pessoal de Ensino Médio tem quando volta da formatura na Bahia. Só que essa é mais chique! ui!
Brincadeiras à parte (não se chateiem pessoal de Porto, vocês também são chiques!), o termo foi criado pelo neuropsiquiatra Décio Nakagawa para designar um certo “jet lag espiritual” que aflige ex-emigrantes. Tipo um fuso-horário social!
Esse japa muito inteligente estudava a frustração de brasileiros que voltavam ao país após uma temporada de trabalho em fábricas japonesas. Tudo bem que as fábricas japonesas não são fáceis né! Segundo ele, a adaptação em um país diferente acontece em seis meses, já a readaptação ao país de origem demora dois anos!!!
Engraçado, essa é mais ou menos a lógica de quando a gente termina com um namorado. Minhas primas mais velhas costumavam dizer que a gente demora sempre metade do tempo do relacionamento pra se curar dele. Enfim, coisa de doido. Mas dá pra perceber a relação de uma coisa com a outra? Nós nos apaixonamos pela vida nova como adolescentes. E depois vem uma certa decepção, o relacionamento começa a esfriar, e a gente volta. Mas aí pensamos, será que tomei a decisão certa?
Demora pra gente voltar pra sintonia daqui! Muitas vezes, voltamos para o Brasil e ficamos isolados em nossas lembranças, olhando fotos da viagem, e pensando só nas nossas próprias experiências.
“eu me amo! eu me amo! não posso mais viver sem mim!”. Matheus, Lina, e Eu, no museu da ciência em Amsterdam. 2011.
foto: arquivo Virando Gringa.
Quando a gente sai do país pela primeira vez, tudo é novidade. Tudo é lindo. Tudo é perfeito, principalmente se você for pra Europa.
Nossa. É até difícil de descrever em palavras, mas o meu sentimento ao pisar no aeroporto de Schipol (Amsterdam) pela primeira vez foi como mudar de dimensão. Foi como viajar pra outro planeta. Conheci um novo mundo, e todo o jeito que eu sentia as coisas ao meu redor aumentou numa fraçao de segundo. Enquanto eu estava dentro do avião vendo “Rio” (aquele filme), eu era a Juliana que tinha vivido no Brasil por 19 anos.
De repente, quando eu desci do avião, vi tudo escrito em holandês e tive que pegar a minha mala em inglês, e ouvi um grupo falando francês, e conheci um suiço no aeroporto que me ajudou com a mala, depois conheci o Andreas Kisser do sepultura fazendo turnê na Holanda. Minha cabeça expandiu igual cogumelo de bomba atômica. BUM!
Irreversível.
Retornar é imigrar de novo
“A sensação é de que perdemos o bonde, estamos por fora do que deveríamos conhecer como a palma da nossa mão”. A senhora Sylvia Dantas, coordenadora do projeto de Orientação Intercultural da Unifes, não poderia ter descrito melhor.
Ao mesmo tempo que sua mente se abre como um guarda chuva ao contrário, você acaba achando que seu mundo parou do jeitinho que você o deixou. Aquela amiga continua no mesmo emprego, com o mesmo namorado. Seus pais continuam na mesma casa. Seu colégio ainda está ali. O pessoal da faculdade continua indo no bar.
De repente, meu amigo, você percebe que nem tudo são flores. Essa ou aquela amiga casou…a outra comprou uma bicicleta…e a outra foi fazer intercâmbio também! Olha só! E aquele cara que te seguia pro restaurante todo dia só pra te paquerar…bom, ele já tá em outra!
A gente tende a se refugiar nas experiências que tivemos lá fora. Eu passo horas conversando com alguns amigos que fiz lá na Holanda. Brasileiros mesmo!
Depois de pouco tempo de volta, percebi que queria mesmo é ter ficado por lá! Ir para os bares e beber cerveja belga com meus brasilandeses! Só conversava com brasileiros que conheci no exterior! Sorte minha é que a maioria deles é gente boa demais!
Alguns deles até se juntaram para protestar em Amsterdam (foto: arquivo Virando Gringa. Dam Square)
A família ajuda muito. Mas só até certo ponto. A gente se culpa muito por estar triste com a volta. Afinal, nossa família gosta da gente!!! Todo mundo está feliz porque voltamos! Porque não ficarmos felizes de rever nossos queridos?! É desprezo? Não gostamos mais deles?
Para um pouco, não é por aí!
Estamos super felizes de rever nossos pais, amigos, primos, todo mundo! Porém…já somos crescidinhos, já queremos abrir nossas asas e criar nossas vidas em novas terras!
E porque não construirmos a vida aonde nos sentimos bem? E se por acaso, eu me sentir melhor fora do Brasil, porque não? Continuaremos amando todos do mesmo jeito!
Porém, a síndrome não é exclusividade de nós brasileiros. A professora de Antropologia Caroline Freitas, diz que todo mundo é assim. Ela conta: “Um português me disse não querer voltar por saber que Portugal já não estaria lá.”
Mas esses portugueses são poéticos mesmo, né?
Como você é metido!
Quem sofre de síndrome do regresso é frequentemente considerado esnobe. A gente sente tanta falta que acaba falando só das nossas viagens!
Parentes e amigos têm pouca paciência com quem volta reclamando: “Putz, na Holanda era melhor. Na Holanda tinha ciclovia! Em São Paulo eu já fui atropelada 3 vezes…”
O retorno tem significado bem diferente pra quem ficou. Junto com a saudade, existe aquele sentimento inconsciente de abandono, e aquela pontinha de inveja! Afinal, você se aventurou, se jogou! E talvez aquele amigo queria fazer o mesmo, mas não deu.
Não estou aqui para julgar porque o seu amigo não viajou. Só estou pedindo que as pessoas entendam! Não é porque queremos parecer melhores que vocês!
Amsterdam. Foto da minha amiga Paige.
Afinal, porque seríamos melhores? A nossa sociedade tende a fazer isso, a pensar que status é tudo. Se eu viajei pra Europa significa que sou rica? Não necessariamente!
Ficar rica me faria melhor? Mas nem a pau juvenal!!!
Se eu falo das minhas viagens é porque me enriqueceu de forma pessoal, não no meu bolso! Como eu já disse, abriu a minha mente. E tudo que eu quero pros meus amigos é que eles se tornem tão “mente-aberta” quanto eu.
Por isso quero dividir com eles as minhas emoções de viajante!
Amigos de viajante, vamos colaborar, síndrome do regresso existe.
A cura? Carinho. E ouvidos bem atentos!
Fonte: Minha mente, e também a Folha Equilíbrio.

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Um comentário sobre “O que é Síndrome do Regresso?

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