Virando Gringa

Rota: Como viajar da Holanda até a Alemanha de bicicleta

Esse post é sobre o dia em que fui da Holanda até a Alemanha de bicicleta!
Sim, dois países no mesmo dia, de bicicleta!!
Como foi isso? Meu amigo Luciano convidou, me mostrou o mapa que ele fez (como vocês podem ver abaixo), e eu simplesmente topei.

Saímos de Bennekom, uma cidade bem pequena no Norte da Holanda. E nosso objetivo era chegar a Emmerich, na Alemanha. Como vocês podem ver, conseguimos!

eu estou apontando para a placa que diz “República Popular da Alemanha”, e o Luciano está do lado da placa que diz “Países baixos”. Cada um de um lado da fronteira, para provarmos onde chegamos!!

Preparativos

Primeiro de tudo, o Luciano teve a ideia e achou o caminho ideal. Depois, no dia da viagem, tudo começou com um set up de tudo que precisávamos para passar o dia, mas que não pesasse muito: Água da Euroshopper (20 centavos de euro, acreditem), bikes funcionando (a minha nem tanto!), comidinhas, dinheiro, relógio, celulares, câmeras e claro: um MAPA!
Por incrível que pareça fui com uma bicicleta toda acabada, que ganhei de um amigo que a achou no lixo! Essa querida bike reformada conseguiu andar quase 150 km em apenas um dia, sem quebrar! É meus amigos, acreditem no poder da reciclagem!
Partimos cedo, e pedalamos pelas ciclovias à beira da estrada, que lá na Holanda funcionam muito bem! Seguimos por rotas internas de bicicleta, entre as cidades, que geralmente beiram a linha do trem, ou beiram o rio.
No nosso caso, foi seguir as placas, e se guiar pelo mapa. Graças ao Luciano não nos perdemos, pois ele tinha todas as cidades marcadas no mapa, e na mente! Eu só fui seguindo e tirando fotos como uma criança feliz!
Esse é o nosso mapa:

Saímos de Bennekom, ao lado de Wageningen e Ede (circulada em vermelho). De lá pra Wolfheze por dentro do Parque Nacional Veluwe, e de lá pra Arnhem. Daí fomos indo de acordo com o mapa e passando por algumas cidades pequenas até chegar na fronteira com a Alemanha. Paramos em Emmerich (já na Alemanha!!), fomos para Kleve (letra I no mapa) que também é bacana e tem um castelo! Paramos em Kraneburg, comemos morangos em algum lugar no meio deste trajeto! E durante nosso dia foi possível ver o Rio Reno, um dos rios mais famosos e mais importantes da Europa!
Luciano e o Rio Reno
Se eu consegui, você também consegue
Boa parte do caminho dentro da Holanda é plano, com excessão das subidinhas geradas pelos diques de contenção de água. Se você for ciclista experiente, dificilmente vai se cansar, porque o que conta mesmo nessa viagem é resistência e vontade de pedalar! Foram mais ou menos 135 kilômetros em um dia. Nós conseguimos fazer isso com um pouco de cansaço, mas tranquilos. Ninguém passou mal, ninguém teve uma emergência nem nada disso. Só minhas coxas ficaram doendo no dia seguinte, mas isso é normal depois de muito exercício.
Como estávamos na rotina de pedalar 6 kilômetros por dia pra chegar à Universidade, acredito que tenhamos praticado no dia-a-dia sem nem perceber. Assim como os holandeses, pegamos o costume de pedalar muito. De casa até o mercado, até a universidade, para sair à noite, para chegar à estação de trem! Tudo foi sempre na bicicleta, e por isso essa viagem foi apenas uma extensão bem comprida da nossa rotina!
Como se guiar
Essas placas de bicicleta estão presente tanto na Holanda como na Alemanha, e facilitam muito a vida! Elas te ajudam a se localizar cardealmente, porque às vezes a gente sabe que está em uma cidade, mas não sabe para que lado sair para chegar na próxima. Elas também indicam quantos quilômetros faltam pra você chegar na próxima cidade.
Essas placas são exclusivas para ciclistas, indicando quantos kilômetros faltam até cada cidade próxima (contando da placa).

Se você se planejar pelo google maps, decidir as cidades com antecedência, e pegar um mapa, com certeza você consegue fazer uma viagem dessas sossegado!

Existe o velho ditado, mas nem “todos os caminhos levam à Roma”. A rota desta viagem, que vai ao longo do rio Reno, passando por Nijmegen, Xantan, Neuss, Kleve e outras cidades é uma estrada muito antiga, que antigamente tinha propósitos militares. Hoje, existe até lugar para viajantes dormirem de graça, os albergues do caminho de santiago (ou em alemão Pilgerweg).

Do lado direito, todos os castelos que dá pra ver ao longo de toda a rota. Do lado esquerdo o castelo de Kleve, além do símbolo do caminho de Santiago, que você pode procurar caso fique cansado de tanto pedalar na Alemanha!
Kleve – a qualidade das ciclovias na Alemanha

Em Kleve, encontramos um castelo! E muito mais! Repare que ao chegar na Alemanha, a qualidade das ciclovias diminui muito, e a conectividade entre elas também. Porém entrando nas cidades você pode encontrar ciclovias novamente, e consegue seguir o seu caminho de forma segura e tranquila.

Bem-Vindo à Kleve!

Ao lado do Castelo tem um parque muito bacana também, que pode te dar uma horinha de descanso antes de tomar o caminho de volta pra Holanda. Nossa viagem foi muito única, e você pode fazer a mesma coisa! Bora?

Na nossa viagem passamos por muitas cidades tipicamente holandesas, como Nijmegen! Você pode fazer a sua própria viagem e conhecer tantos jardins e cidades lindas, cheias de história, de cafés maravilhosos, de coffeshops (depende do seu gosto, né?), de arte, de pintura, de flores, de ciclovias!

Surpresas pelo caminho: Iniciativas Sustentáveis na Holanda e Alemanha
Quem é da área de Sustentabilidade sabe que a Alemanha é muito forte nisso. Para você leitor, mesmo que seja da área de humanas ou de saúde, ou de qualquer outra: um bom assunto para investigar e visitar na Alemanha são as iniciativas sustentáveis.
Nesta foto tem só uma amostra do que eles vem fazendo pra tentar deixar o país mais ambientalmente correto. Na foto mais acima à esquerda tem um biodigestor, pra retirar metano de dejetos de animais, e gerar aquecimento ou energia. Do lado direito de cima tem um exemplo de placa de energia solar que foi iniciativa municipal, e estava exposto para motivar a população. Inclusive existe uma cidade na Alemanha que tem a meta que TODAS as casas tenham energia solar, e começou apenas com um bairro: O bairro solar Schlierberg, em Friburgo!
 

Energia Eólica também é muito forte na Holanda e na Alemanha, apesar de ainda não ser a principal fonte de energia, é a meta juntamente com biogás e solar. Os trens são um dos principais meios de transporte na Holanda, e muito também na Alemanha, motivando a população a largar o carro e pegar transporte público.

Casa com energia solar
Praias
Pelo tanto que falo dos holandeses, vocês já devem saber que pra eles qualquer laguinho é praia. Quando pedalávamos entre Kleve e Nijmegem, perto da fronteira, encontramos muitos espaços públicos de lazer como esses:
Numa dessas, acabamos entrando num corredor formado por árvores bem altas. Do lado direito tinha o rio, e do lado esquerdo tinha um muro de cerca viva, que dava para um lago. Resolvemos dar uma olhada, quando de repente vimos um moço de uns 30 anos trocando de roupa. Opa! Sorry!
Quando continuamos olhando, ele não parava mais de trocar de roupa, e aí percebemos que a demora era porque ele estava tirando tudo e colocando numa mochilinha! Valhei-nos Nossa Senhora Aparecida, era uma praia de nudismo! Obviamente era proibido foto, ficamos só com as memórias das bundas brancas holandesas! Never forget!
Além de praia de nudismo para pegar turistas desavisados, o espaço chamado Wyerbergmeer, que significa algo como “lago da montanha (de) Wyer” também tinha um espaço reservado para crianças, um espaço pra levar seu pet, um espaço para pescar, e trilhazinhas de bike! Um laguinho muito bem aproveitado! E tudo grátis, vale enfatizar.
Surpresas pelo caminho
No meio do caminho sentimos um cheiro absurdamente MARAVILHOSO de morango. É sério, esse aroma tomou conta, invadiu minha mente, e não tinha como fugir: tivemos que parar!
Fomos seguindo o cheiro igual o pica-pau faz com churrasco.
Na hora que conseguimos achar uma placa escrito Erdbeeren (morangos em alemão), entramos fazenda a dentro e encontramos uma senhora arrumando suas caixinhas de morango e esperando os clientes. Chegamos gentilmente pedindo pelo preço da caixinha de morango, mas a mulher não falava nada de inglês. Tentamos simplificar: tipo apontar pra caixinha e falar “How much”, ou simplesmente falar “Euros!!”, mas não funcionou! No fim das contas pegamos a caixinha, demos o dinheiro na mão dela e ela deu o troco. A barreira linguística jamais pode impedir a gente de comer morangos. Nada nada nada nesse mundo poderia nos impedir de comer aqueles morangos naquele sol de verão depois de ter pedalado tanto!
Olha a cor disso!

Bom, além dos morangos maravilhosos, na nossa viagem também encontramos castelos (é claro, na Europa sempre tem um castelinho aqui e ali), e também encontramos mais surpresas no caminho!

Bom, por hoje é só pessoal. Agradeço sempre ao universo por ter tido a força de pedalar tanto mesmo não sendo esportista (na verdade sou bem sedentária). Recomendo pra todos essas viagem, foi muito enriquecedora, e rendeu muitas lembranças boas.

O esforço compensa! Chegamos em casa à noite, mas muito felizes!

E aí?
Partiu?

https://www.google.com.br/maps/place/”s-Heerenberg,+Reino+dos+Pa%C3%ADses+Baixos’/@51.8766776,6.0817446,15154m/data=!3m1!1e3!4m5!3m4!1s0x47c79d3641b86de7:0x280bcd1aa91fb410!8m2!3d51.8765436!4d6.2586522

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4 comentários sobre “Rota: Como viajar da Holanda até a Alemanha de bicicleta

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