Virando Gringa

5 motivos pra experimentar o Psicodália (ou não)

O Psicodália começou em 2001, com um projeto piloto em Angra dos Reis (RJ). O objetivo era criar um espaço para que bandas autorais independentes pudessem divulgar seus trabalhos. A primeira edição contou com 150 participantes. O festival cresceu muito desde o seu começo, e a última edição teve mais de 3000 pessoas. Mas não perdeu o charme.

Já passaram pelo PSICODÁLIA nomes como: Ian Anderson tocando o melhor do Jethro Tull, John Kay e Steppenwolf, Moraes Moreira, Alceu Valença, Arnaldo Batista, Baby do Brasil, Os Mutantes, Elza Soares, Tom Zé, Paulinho Boca, Naná Vasconcelos, Nação Zumbi, Made in Brazil, Patrulha do Espaço, Sérgio Dias, Casa das Máquinas, Som Nosso de Cada Dia, Sá e Guarabyra, Ave Sangria, Jards Macalé, Traditional Jazz Band, Blindagem, A Bolha, Módulo 1000, Pedra Branca, Wander Wildner, Hermeto Pascoal, O Terço, Orquestra Contemporânea de Olinda, O Terno, Bixo da Seda, Blues Etílicos, Yamandú Costa, Almir Sater, Terreno Baldio, Jupiter Maçã, Violeta de Outono, Baby do Brasil, Gong e muitos outros. Além de todos esses grande nomes da história da música nacional e internacional, o Psicodália sempre trabalhou e continua trabalhando para criar cada vez mais espaço para novos artistas e bandas independentes apresentarem seus trabalhos autorais.

A história completa do festival você encontra no site deles.

Bloco da cachaça, carnaval 2018 no psicodalia

Minha experiência no psicodalia

Já tinha ouvido falar do festival antes, mas foi só em 2018 que acabei indo de fato. Fui convidada por um amigo que adora, e lembro muito bem dele falando que o festival “é minha cara”. E é mesmo. Será que é sua cara também?

Esse festival pra mim é um pedacinho dos anos 70 perdidos no século 21. Ou pelo menos um pedacinho da cultura hippie que reinava na época do pós-guerra quando todo mundo queria paz, amor e natureza. Eles tem um ideal que segue firme, de ajudar as bandas independentes, além de promover ações que contribuam pra cultura, meio ambiente, liberdade de expressão e em geral para um mundo melhor.

Como assim? No festival tem teatro, cinema, apresentações espontâneas, venda de produtos orgânicos, lojas de roupas alternativas (não investiguei se todas as marcas vendidas no festival são ecologicamente corretas ou não, mas algumas eu posso confirmar que são, pois comprei algumas coisas). Todo o lixo do festival é separado e levado pra um centro de triagem, e depois encaminhado pro destino correto. Eles também tem uma grande preocupação com evitar desperdício, e isso é muito divulgado antes, durante e depois do festival pela equipe. Além disso tudo tem muitas outras coisas que o tornam um festival responsável socialmente e ambientalmente.

Um festival que busca a sustentabilidade

Quem trabalha com meio ambiente (como eu) sabe que a sustentabilidade é uma meta, um horizonte, um rumo a seguir, mas que dificilmente um evento ou empreendimento é 100% sustentável. Mas esse assunto daria outro post! haha

Sobre o psicodália: eles se esforçam MUITO para chegar no objetivo da sustentabilidade, e até o momento é o festival mais sustentável que eu já fui. Minha experiência com festivais se resume à Brasil e Europa. O Psicodalia ganha de muito festival europeu nesse quesito, pois não vi lixo espalhado, não vi sujeira pelos cantos, o terreno volta a ser o que era antes do festival, o que é uma raridade!

Eles tem opção de banheiro seco (se não sabe o que é, clique aqui), tem opção de banheiro com descarga que usa água também, tem chuveiros também num espaço de vestiário (são vários box com chuveiros individuais num vestiário coletivo).

Segundo o site deles, na edição de 2015, ofereceram 40 banheiros secos, o que na edição anterior de 2014, diminuiu o impacto ambiental, deixando de retirar da natureza, cerca de 20 mil litros de água. Na ediçao de 2015, a reduçao do consumo de agua chegou a 40 mil litros.

Além dos banheiros, existe a preocupação em evitar o desperdício de comida. No festival é permitido levar sua própria comida para cozinhar o que quiser, então às vezes sobra mesmo. Pra não jogar fora, a pessoa pode deixar a comida num armário que fica perto da entrada do festival, e quem estiver precisando pode pegar gratuitamente, ou trocar por algo que não queira mais.

Você pode saber mais sobre a Gestão Ambiental do Psicodalia no site deles.

Quem é o público do psicodalia?

Famílias (com crianças!), jovens, estudantes, músicos, trabalhadores assalariados, pessoas que buscam relaxar no carnaval, pessoas que gostam de acampar, vegetarianos, não-vegetarianos, pessoas que querem levar seus cachorros pra curtir uma semana num lugar diferente, pessoas que gostam de nadar pelado no lago (quando tá calor isso rola muito, então se você vai julgar as pessoas por isso melhor nem ir ao festival), pessoas que gostam de cultura alternativa, pessoas que gostam de meio ambiente, pessoas que querem dar um tempo da correria da vida, pessoas que valorizam a liberdade de expressão artística e humana, pessoas que estão viajando pelo mundo numa kombi e não sabem como vieram parar ali (true story), pessoas que buscam elevação espiritual, pessoas que ensinam yoga (tem até tenda pra isso), atores que fazem perfomance no meio do festival, dançarinos que fazem perfomance no meio do festival, músicos que fazem perfomance no meio do festival, vendendores de produtos artesanais.

Acho que já deu pra pegar o espírito da coisa né? O perfil é variadíssimo, mas uma coisa é certa: em sua grande maioria são pessoas não julgam o próximo. Que deixam cada um na sua, fazer o que quiser, desde que não prejudique o coletivo ou o amigo. Se você for pra julgar, melhor não ir.

Em resumo, é um espaço de liberdade individual e coletiva.

na tenda da cura, que ficou esse ano pertinho do vegdalia, rolou yoga com música ou sem música, todo dia 9h. Era bem legal, eu consegui fazer em alguns dias, nos outros tava de ressaca mas tudo bem 🙂

Fui de carona (e muita gente vai assim)

Cheguei mais tarde, pois precisava trabalhar nos primeiros dias de festival. Meu primeiro “dia” foi sábado a noite! Mas isso não me impediu de pegar carona, pois tem um grande fluxo de pessoas que vão pro festival aqui de Curitiba, tanto a trabalho, como gente que também não podia ir antes como eu, então foi muito fácil.

A família da carona era super legal, me deram yakult e a Maria, filha mais velha de uns 8 anos, trocou a maior ideia comigo haha

No grupo do festival no facebook, ou no evento específico de cada ano sempre tem pessoas postando carona mais perto da data do festival.

Dividindo comida

No acampamento que fiquei, todo mundo dividia comida. Levei comigo umas comprinhas: macarrão pra yakissoba, arroz, legumes, temperos, carne de soja. Fiquei na Vegdalia, que como o nome já diz, é a barraca Veg. Pra mim foi ótimo porque não queria mesmo comer carne nesses dias. Eles tem um grupo no facebook pra quem quiser conhecer o Vegdalia.

Se você prefere comer uma carninha pode levar também, só não vai ter geladeira…vc tem que cuidar disso levando uma caixa térmica, um cooler, sei lá!

Resumindo, lá tem todo tipo de barraca, inclusive uma galera fazendo um belo churras! Ganhei também uma linguiça artesanal de um mano que era do interior do Paraná e tava indo no festival pela primeira vez. Cheguei um dia e sentei do lado dele pra conversar, porque queria conhecer outros acampamentos. Simples assim. Começou a chover e acabei passando horas lá conversando com as pessoas daquele lugar. Descobri que o chuveiro deles era bem pior que o meu. Esse acampamento chama Secos e Molhados e é bem íngreme, fica a dica, acho que não vou ficar lá porque parece ser dos mais difíceis do festival. O nível de roots ultrapassa meu limite haha

Além disso tinha o armário de sobras, que era literalmente um armário no meio do caminho onde você podia deixar a comida que não queria comer, para que outros a usassem, pois de desperdício e comida já basta o mundo lá fora.

Essa é uma cozinha disponibilizada pela direção do festival, como vc pode ver é muito simples, à lenha, mas o pessoal usou normalmente e deu certo.

Dormi em Barraca (e todo mundo dormiu)

Cheguei meio sem rumo no festival, mas por sorte já tinha conversado antecipadamente com o pessoal do Vegdalia, então tinha um acampamento pra ficar. O Eder me ajudou a montar a barraca, valeu Eder!
No segundo dia consegui ficar mais estável (me ambientar no novo local, a barraca tava feita, as coisas no lugar…) e ajudei o pessoal a cozinhar, foi massa, todo mundo se ajudando. Quando tava fazendo essas comidas, acabei conversando com uma galera e pensamos uma coisa que pode parecer pira de maluco, mas se for também? foda-se. O psicodalia parecia uma aldeiazinha medieval. A gente tava bem ao lado da Tenda dos bruxos, onde tava rolando uma música muito típica, tava um sol da porra (nos outros dias choveu um pouco), e as pessoas tavam passando cheias de lama, algumas descalças, outras carregando tudo que tinham nas costas… Naquele momento, só faltavam os cavalos pra ser uma cena de filme de feudo hauahuahuahauha

minha casinha temporária

Será que esse festival é pra mim?

Se os cinco motivos te pareceram suficientes: você está pronto!

Se pareceram estranhos, saiba um pouco mais sobre o perfil do festival e veja e bate com o seu.

Se não bater, tá tudo bem! 🙂

É “simprão”: Pra quem nunca foi, o “jeitão” do psicodália é bem simples. Então não espere muita coisa. Por exemplo, tomei banho gelado no último dia…Não ligo, e quem tava do lado parecia não ligar. Algumas pessoas não ligaram por causa do seu nível etílico. Tudo bem.

Mas o ingresso não é super barato: Tá na faixa dos 400 reais. Eu parcelei quando fui e deu tudo certo. Vamo combinar, é muito mais barato que Loolapalooza que também um festival que é pra ser ~jovem~. A experiência do Psicodalia vale muito a grana, inclusive por isso que vou de novo esse ano.

Você pode trabalhar no festival pra diminuir os custos: Você pode se inscrever pra trabalhar no festival, seja no Biodália (que é o pessoal que faz a separação do lixo), como nos bares, ou cuidando da estrutura (por exemplo, colocando palha onde tem muita lama pro pessoal poder caminhar sossegado e não escorregar), ou servindo comida, ou limpando as coisas, varrendo a praça de alimentação, seja o que for.

Pra trampar no festival, entre no site deles e se informe.

O psicodália é famoso pela lama: Isso não é uma metáfora, tô falando de barro mesmo, terra, sabe?

não curte lama? compre uma galocha. Leve equipamento pra isolar sua barraca. Se prepara porque a região é muito úmida, por isso que as araucárias gostam de lá 🙂

Como você tá vendo a galera vai preparada. Tanto a galera de bota como a galera descalça, cada uma vai preparada de um jeito.

Você curte isso? Então você está preparado!

É frio pacas:  A região em que foi feito o festival no ano que eu fui é muito fria! Foi em Rio Negrinho-SC. Uma cidade do interior, mas a pouco tempo de Curitiba. Eu levei um saco de dormir que protege até 5° então fui super de boa, além disso me emprestaram um colchonete pra isolar o chão da barraca (valeu Alcir, valei Kamilla!). Depois ainda o irmão da Kamilla foi embora e pude usar a barraca dele, que era muito melhor que a minha, então soi só sucesso graças ao pessoal do Vegdalia!

Salve no Pinterest!

O melhor do rolê são as pessoas

As pessoas da carona eram muito legais. As pessoas do café eram muito legais. As pessoas da tenda de dub eram muito legais e davam café da manhã! As pessoas do vegdalia são muito legais e te ensinam a cozinhar, e dividir comida, e montar barraca 🙂 As pessoas do Biodalia te ensinam que lixo não é lixo. É matéria orgânica e reciclável são muito diferentes. Dentro e fora do festival. As pessoas do Yoga mostram que estar em paz consigo mesmo é o principal ingrediente pra viver. Se for seu rolê. As pessoas que botam os filmes, mostram que nem tudo é blockbuster. Graças a deusa.

As pessoas que encontrei no psicodalia se tornaram amigos que hoje moram no meu coração. Inclusive já estou planejando encontrar as mesmas pessoas de novo, agora em 2019 🙂

Cada pessoa carrega um mundo dentro de si. Lá no psicodalia, o conceito das pequenas bolhas sociais que todo ser humano forma é expresso pelos acampamentos, de certa forma, pois acabam se tornando pequenas comunidades independentes. Não me entenda mal, existe muita interação entre os acampamentos. Mas é engraçado experimentar visitar um acampamento assim do nada, e só conversar com as pessoas.

Pra mim, o psicodalia é isso, essa miniatura de sociedade que funciona meio no caos. Tem uma energia coletiva que vigora mesmo se pessoas são diferentes. E tá tudo bem. É o ser humano no seu estado básico e trabalhando com comunidades em pequena escala. Muito interessante a dinâmica disso tudo…É mesmo uma pequena sociedade com suas “tribos” e  andarilhos e mercantes e fadas e magos e loucos e forasteiros e mutantes. Sim, viajei.

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Um comentário sobre “5 motivos pra experimentar o Psicodália (ou não)

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