Virando Gringa

Ação conjunta cria novo ponto turístico em São Gabriel da Cachoeira, Amazonas

Por 10 dias, jovens e voluntários de todas as idades se uniram ao grafiteiro Raiz para transformar o espaço público da cidade no Alto Rio Negro.

Um espaço antes esquecido, agora se torna uma área com potencial para receber visitantes, além de ser um espaço mais agradável para os residentes dos arredores.

O caminho que dava acesso à Ilha de Adana, estava deteriorado pelo tempo, transformando a ida até a ilha numa caminhada desinteressante e às vezes assustadora para os moradores e visitantes.

Segundo reportagem da ISA Socioambeintal, jovens e voluntários de todas as idades se uniram em um mutirão artístico entre os dias 28 de fevereiro e 09 de março de 2018.

Com o grafiteiro manauara Raí Campos, o Raiz, jovens da cidade mais indígena do Brasil revitalizaram uma passagem entre a praia e a praça do Rodoviário em São Gabriel da Cachoeira, onde vinham ocorrendo episódios de violência. O que antes era assustador e maltratado foi substituído por pinturas retratando a vasta cultura dos 23 povos indígenas do Alto rio Negro.

Antes e depois da revitalização com as pinturas feitas por Raiz e jovens indígenas e voluntários

O desafio não era só o de pintar muros e, sim, o de renovar o local e mudar sua energia. De trazer nova vida a um espaço público que o próprio público estava com medo de passar”, ressalta o artista. Engajado nas causas socioambientais, Raiz aceitou o convite para ser voluntário da Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro, que realizou a mobilização, junto com a Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro) e o Instituto Socioambiental (ISA). A Rede é formada por um grupo de 17 indígenas de oito etnias diferentes, que produzem notícias e estão buscando maior participação da juventude e das mulheres nos espaços de decisão, assim como ocupar locais do município onde moram.

Raiz deixou um presente para São Gabriel da Cachoeira, agora precisamos cuidar e animar esse lugar, que poderá ser cenário para oficinas, eventos e encontros”, comenta Claudia Ferraz Wanano, locutora do boletim de áudio Wayuri, realizado pela Rede de Comunicadores mensalmente. O desafio agora é manter o local e conseguir mais parcerias. “Vamos em busca de iluminação, bancos e lixeiras públicas para o lugar. Vamos cobrar da gestão municipal que cuide do espaço”, afirma.

O local foi batizado como Caminho de Adana pois, logo em frente à escadaria, está localizada a grandiosa ilha de Adana, no rio Negro. Conta-se que Adana era uma linda moça indígena disputada por dois pretendentes, representados por cada braço de rio que se forma entre a ilha. Para Lucas Matos Tariano, do Departamento de Jovens da Foirn, a cultura e a arte são meios importantes de comunicar, sensibilizar e tocar as camadas mais sensíveis das pessoas, muitas vezes distantes do bem comum por falta de tempo e oportunidade.


Caminho de Adana, em homenagem a ilha que fica em frente ao local, no rio Negro

“Nesse evento vimos que conseguimos reunir todo tipo de gente e essa união foi a parte mais legal dessa transformação”, completa o jovem.

A mobilização contou também com o apoio do ICMBio, do Exército brasileiro e da produtora Usina da Imaginação, que gentilmente realizou imagens com drone do local revitalizado. Para escutar os boletins informativos realizados pela Rede de Comunicadores Indígenas do rio Negro, basta acessar aqui.

Um futuro mais sustentável?

Assim como em São Paulo temos o Beco do batman, a arte de rua pode sim se transformar em ponto turístico em outros locais do país. A Ilha de Adana poderia ser um local de visitação e poderia até mesmo gerar renda para os locais.

Como sempre, falta investimento, mas podemos correr atrás sem o poder público.

Quando uma área é revitalizada, a esperança é renovada e quem está em volta se renova junto. A confiança de que podemos mudar é às vezes mais importante que dinheiro, que muitas vezes é o que falta para finalizar esse tipo de projeto.

São Gabriel da Cachoeira, assim como outras cidades do Brasil, sofre com o crescimento desordenado. A expansão da área urbana está aumentando e beirando as fronteiras com as terras indígenas demarcadas que rodeiam a cidade. Com isso vários problemas se intensificam, como a alta incidência de doenças como malária e a crescente violência urbana. Considerado o município com a maior extensão de áreas protegidas da União, São Gabriel não tem saneamento básico, tem pouca iluminação pública e raros espaços de lazer para crianças e jovens.Artista do grafite, Raiz aceitou convite para revitalizar área degrada em São Gabriel da Cachoeira (AM)

Com aproximadamente 45 mil habitantes – cerca de 25 mil na área urbana – a cidade sofre com constantes cortes de água, de energia (que é gerada por uma termelétrica que consome 23 mil litros de diesel por dia) e má gestão do lixo, que é descartado em vários terrenos da cidade e no lixão municipal, situado no bairro da Boa Esperança. Vale lembrar que São Gabriel da Cachoeira construiu de forma participativa e aprovou na Câmara de Vereadores, em 2006, um Plano Diretor, mas até hoje não foi implementado.

Assista ao vídeo da transformação:

Especial São Gabriel planeja seu futuro – série de seis reportagens

Primeira reportagem

Segunda reportagem

Terceira reportagem

Quarta reportagem

Quinta reportagem

Sexta reportagem

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