Virando Gringa

Alemanha aumenta as verbas para Universidades federais

DISCLAIMER 1

O fato é que a Alemanha anunciou investimento nas universidades federais, o Brasil anunciou cortes. Sei que é ilusório comparar países desenvolvidos com o Brasil, pois ainda somos um país jovem, que saiu de uma ditadura não faz muito tempo e ainda elege políticos com base no carisma e não na competência.

A gente ainda tem muito o que evoluir, mas uma decisão sábia seria observar os países desenvolvidos e tentar copiar o que eles fazem de bom. Nós estamos indo no caminho contrário há muitos anos e, honestamente, senti vontade de jogar na cara dos brasileiros o quanto este caminho está errado. Infelizmente, não tem muito mais o que possamos fazer além de protestar e mostrar os contrastes é um modo de protestar.

DISCLAIMER 2

Sim, esse é um blog de viagens. Sim, esse texto é uma opinião pessoal. Quem ficar bravinho, pode fazer o próprio post mostrando porque nosso governo está certo em cortar as verbas de um setor que já não tem dinheiro há décadas. Fico no aguardo dos argumentos embasados em números e dados.

Alemanha investe mais no ensino superior, Brasil vai para o lado contrário

Alemanha anunciou investimento nas universidades federais e estaduais. Universidades e centros de pesquisas federais da Alemanha terão mais dinheiro a partir de 2021, anunciou a ministra alemã da Educação, Anja Karliczek.

Na sexta-feira (03/05/2019), foi anunciado pelo governo federal alemão o investimento de 160 bilhões de euros no ensino superior e na pesquisa científica entre 2021 e 2030. Em média, esse valor representa 2 bilhões de euros a mais por ano, na comparação com 2019. Imagina quantos deputados daria pra subornar com esse dinheiro. Que desperdício.

Já tivemos um outro caso de contraste extremo quando a Alemanha deixou de cobrar taxas escolares para o ensino superior em 2016. Quem lembra? Teve tanta gente copiando o texto que fiz sobre isso na época, que até hoje ainda encontro cópias na íntegra, como essa.

Mas voltando ao tema do post de hoje: A ministra alemã afirma que o investimento é pensando no longo prazo (falta isso no Brasil): Com isso estaremos garantindo a prosperidade de nosso país no longo prazo“, declarou a ministra ao encerrar meses de debates entre o governo federal e os estados para definir o plano de investimentos no ensino superior da próxima década.

A distribuição dos recursos leva em conta o número de calouros e o de formandos e, principalmente, se a maior parte dos estudantes conclui os seus cursos no prazo previsto! As universidades ainda poderão pleitear recursos para projetos especiais – este orçamento, porém, é limitado a 150 milhões de euros.

O Partido Verde, oposição do governo atual na Alemanha, elogiou o compromisso e disse que um fracasso das negociações entre o governo e os estados teria posto em risco a pesquisa e a inovação na Alemanha e a imagem internacional do país no ensino superior. Lembrando que a Alemanha é líder em tecnologia e inovação, não porque começou a investir no ensino superior agora, mas porque faz isso há décadas, séculos. 

O Brasil não é a Alemanha, e nós sabemos disso

Sim, é irreal querer que o Brasil seja a Alemanha. A história deles envolve a exploração de outros países na época da colonização, envolve inclusive a exploração do nosso país de tantas formas. Não dá pra esperar que nós, eterno celeiro do mundo/colônia não-assumida dos Estados Unidos, cheguemos no mesmo nível de um país que foi colonizador muito antes da gente ser declarado como país.

Por outro lado, digo e repito, nós estamos em 2019, nós temos acesso a dados sobre o sistema educacional de lá, nós temos acesso aos casos de sucesso do mundo inteiro. Estamos na era da informação e da globalização, porque ainda insistimos em perseguir nossas Universidades com argumentos dos nos 80?

Porque em vez de cortar gastos não abrimos sindicâncias e investigações nas universidades federais, porque representantes do governo não se reúnem com os principais pesquisadores/professores das nossas universidades para encontrar soluções?

Corte de gastos não vai solucionar problemas de modo algum e todos nós sabemos que o objetivo não é esse. O objetivo do corte de gastos é terminar de acabar com as Universidades federais pra favorecer as privadas, algumas das quais apoiaram a candidatura do governo atual. É óbvio para quem procura o mínimo de informação. Google it.

Nem todas as Universidades alemãs são gratuitas para brasileiros

É importante lembrar que, em 2014 a Alemanha resolveu tornar gratuitas todas as universidades federais e estaduais do país, mesmo para estrangeiros. Em 2016, com a possibilidade de cobrar pelo ensino superior público no Brasil, houve uma onda de notícias puxando de volta essa informação, mesmo 2 anos depois de ter acontecido. Inclusive teve post aqui no VG falando isso.

Mais recentemente, em 2018, algumas universidades da Alemanha voltaram a trás e passaram a cobrar dos estrangeiros – algumas Universidades. Então, sim, o ensino superior lá é gratuito ainda em maioria, mas pode ser que isso mude.

Os estudantes de países de fora da União Europeia (incluindo o Brasil) terão de pagar aproximadamente 1500 euros por semestre (cerca de 6 mil reais), totalizando 3 mil euros por ano em algumas universidades. Apesar de não ser mais de graça, vale a pena ressaltar que estes valores ainda são significativamente mais baixos que os cobrados em muitas outras partes do mundo – como Estados Unidos e Reino Unido. Além disso, vale ressaltar que nem todas as universidades alemãs adotaram as taxas.

Quais universidades da Alemanha são gratuitas para estrangeiros e quais cobram?

Apenas as universidades localizadas no estado de Baden-Württemberg voltaram a cobrar taxas até o momento em que esse post foi escrito – entre elas, universidades conhecidas no mundo todo, como Stuttgard e Heidelberg. Entre elas, estão a Universidade de Friburgo, a Universidade de Stuttgard, a Universidade Heidelberg e o KIT – Karlsruher Institut für Technologie.

Mesmo nestas instituições, alguns estudantes serão isentos de pagar as taxas de anuidade, entre eles:

  • Refugiados com o direito de ficar na Alemanha
  • Estudantes internacionais com status de residente permanente na Europa
  • Estudantes atualmente matriculados nas universidades afetadas

Outros países europeus que passaram a cobrar taxas de estrangeiros

Em 2016, o governo da Finlândia anunciou que passaria a cobrar taxas de estudantes estrangeiros. Dinamarca e Suécia já tinham implementado as taxas em 2006 e 2011. O único país nórdico a manter a anuidade gratuita para todos os estudantes é a Noruega – não sabemos até quando, mas até 2019 está tudo bem.

Pois é, esse texto pode parecer até superficial ou puxando saco da Alemanha, mas o fato é que a Alemanha está investindo no ensino superior, e nós não estamos. Não tem por onde fugir, a gente deveria começar a pensar na nossa educação a longo prazo e não com guerra ideológica. Infelizmente não tem como fugir disso, podemos espernear e nos fazer de orgulhosos, mas o fato é que estamos fazendo uma grande besteira em não investir em Ciência.

Tomara que a gente não perceba isso tarde demais.

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