Como é a visita ao Memorial de Auschwitz, Polônia

A visita ao Memorial de Auschwitz foi uma das experiências mais intensas que vivi durante o tempo que morei na Europa. Fiz essa visita em 2013, mas nunca escrevi sobre isso até hoje porque nunca me achei culta o suficiente para falar de um assunto tão complexo e difícil. Mas vou falar do que senti nessa visita e você decide se vale a pena fazer esse passeio também.

Quando voltei da Polônia depois da visita ao Memorial de Auschwitz, foi difícil explicar pros amigos na época, foi difícil ver tudo que eu vi lá. Foi difícil ter capacidade imaginativa nessa hora porque cada maquete, cada foto, cada pedacinho de roupa, cada fio de cabelo, cada plaquinha, cada documento, cada uma das provas que mantém a memória dessa época horrível entraram no meu coração e na minha mente pra nunca mais sair.

Toda vez que alguém tem a audácia de falar que nazismo é uma mentira ou que toda a história sobre isso é de alguma forma um “exagero”, fico com vontade de ser rica pra poder comprar um ingresso pra essas pessoas visitarem Auschwitz e aprenderem. Afinal sou pacifista.

A visita ao Memorial de Auschwitz foi algo que palavras não descrevem tão facilmente. Me fez refletir sobre até onde um grupo de seres humanos pode chegar para alcançar ideais, por mais insanos que eles possam ser. Com certeza, nessa visita você vai refletir pelo menos um pouquinho nos limites da manipulação de massas. Inclusive passará a prestar mais atenção se isso estiver acontecendo na sua frente, na atualidade, no seu país.

Como é a visita ao Museu e memorial de Auschwitz

Você entra pelo portão principal do Memorial de Auschwitz e já vão te oferecer áudio-guias com fone de ouvido e outros recursos. Você pode escolher esse áudio-guia caso não fale inglês, pois é possível que tenha uma narração em português. Se você conseguir ler em inglês, todo o museu tem as traduções das exposições para inglês.

Você vai passar pelo portão de entrada do campo de concentração com os dizeres “Arbeit macht frei” (esse doeu de olhar, já deu vontade de chorar logo na entrada), onde o ferreiro e prisioneiro judeu Jan Liwacz fez um ato de protesto ao instalar a letra B invertida no portão de sua prisão. Seu sequestro e cativeiro pelos nazistas durou de 1939 a 1945. Ele faleceu em 1980, na cidade de Bystrzyca Kłodzka. Na data que seria seu aniversário de 110 anos foi inaugurado um museu em sua homenagem na mesma cidade.

Você vai passar por vários prédios, onde faziam experimentos científicos com os prisioneiros, onde os prisioneiros dormiam, onde trabalhavam de forma forçada. Você vai ver escritórios dos nazistas, vai ver uma câmara de gás do lado de fora.

A área de exposições do Memorial de Auschwitz tem murais que contam a história da época feitos por historiadores e com depoimentos de sobreviventes ou parentes das vítimas, fotos de alguns prisioneiros, doadas pelas famílias ou encontradas após a guerra. Você vai passar por fotos e objetos dos prisioneiros judeus como suas carteiras, suas roupas, suas panelas, seus sapatos e outros. Em uma sala, tem exposto atrás de vidros algumas das coisas mais cruéis que já vi na vida: pedaços de cabelos do povo judeu, que os nazistas pretendiam usar como material para fabricação de tecidos.

Por todo o local, você verá flores e objetos deixados por parentes e visitantes em sinal de respeito e luto. Você pode ver fotos do interior de uma câmara de gás, onde milhares de pessoas morreram separadas de suas famílias após dias ou semanas de sofrimento na fome e no frio. Se tiver coragem, você também pode entrar em uma câmara de gás e ver as marcas pretas do fogo.

 

 

Depois da visita – e de ficar sentadas por muito tempo tentando absorver aquilo e entender os diversos sentimentos dentro de nós – eu e minha amiga decidimos almoçar ali mesmo. O prato foi bom e paguei 12 euros por purê de batata, chucrute e legumes.

Como chegar ao Memorial de Auschwitz

A cidade mais próxima para visitar o Memorial de Auschwitz é Warsaw (Varsóvia). O Museu fica na cidade de Oświęcim, na rodovia 933. A entrada pelo estacionamento fica na Rua Stanisławy Leszczyńskiej número 11. Bota no Google Maps. Na nossa época não tinha, mas a gente achou mesmo assim. Meu celular era bem simples em 2013 então usei um mapa de papel e um ônibus local para chegar e deu certo.

O museu fica a 2 km da estação de trem de Oświęcim. Então vá pra rodoviária em Varsóvia e compre uma passagem de ônibus pra Oświęcim. O ônibus que pegamos foi esse da foto abaixo.

Esse é o ônibus que pegamos. Tem também empresas particulares que fazem essa rota diariamente em Varsóvia e em Cracóvia. Como a gente foi do jeito que os locais vão, não temos como te recomendar uma empresa. Mas tem, por exemplo, visitas que custam 15 zł (R$ 21) por viagem com a Lajkonik Bus.

Detalhes importantes sobre a visita ao memorial de Auschwitz

O Museu e memorial de Auschwitz fica aberto em diferentes horários durante os meses do ano, as visitas podem durar em médias de 2 a 3 horas. O ingresso está custando. No verão eles tem um horário mais estendido, no inverno mais curto.

Horários da visita no memorial de Auschwitz:

  • 7:30 AM – 2:00 PM Dezembro
    7:30 AM – 3:00 PM Janeiro, Novembro
    7:30 AM – 4:00 PM Fevereiro
    7:30 AM – 5:00 PM Março, Outubro
    7:30 AM – 6:00 PM Abril, Maio, Setembro
    7:30 AM – 7:00 PM Junho, Julho, Agosto

*Esses são os horários de entrada. Um visitante pode ficar no memorial de Auschwitz ainda por 90 minutos depois do último horário de entrada (por exemplo: 5:30 se for Fevereiro ou 8:30 se for Julho).

Um pouco de história para Visitar o Museu e memorial de Auschwitz

Como os alemães de hoje em dia lidam com o passado nazista

Para simplificar. Se for visitar a Alemanha é preciso que você entenda: não haja como um idiota e tudo ficará bem.
1. Fazer uma saudação nazista é crime (6 meses de prisão),
2. Dizer “Heil Hitler” é crime (6 meses de prisão),
3. Vestir uma suástica nazista é crime (6 meses de prisão),
4. Negar o Holocausto é crime (6 meses de prisão),
5. O hino nacional NÃO É “Deutschland uber alles“. Então não cante se você não quer se meter em encrenca (ir preso ou ser deportado).

Histórico do nazismo na Alemanha e motivos para visitar o Memorial de Auschwitz

Na década de 1950, a questão nazista era sobre “culpa coletiva”, já que pessoas que viveram a época nazista ainda estavam vivas. Infelizmente, muitas pessoas na época foram convencidas de que tudo estava bem nas outras partes da Alemanha, muitos não viam as crueldades que aconteciam. Acreditavam que o governo estava trabalhando pelo bem de todos. Foram ensinados a desprezar os judeus e colocar a culpa nas minorias pelos problemas econômicos. Isso ainda acontece hoje em dia.

Porém, é importante lembrar: muitos alemães comuns nunca souberam que os judeus foram enviados para campos de concentração e foram mortos com gás. Até que tudo se tornou público. Hoje em dia, muitos alemães tem uma vergonha imensa desta parte de sua história. Leia mais sobre a história do povo alemão e o nazismo.

Nos anos 90, a questão nazista era mais uma parte da história que deveria ser rejeitada da mesma forma que o comunismo. Após a queda do Muro de Berlim, a Alemanha foi reunificada e o patriotismo alemão ressurgiu com outro formato, de maneira não-militarista. A União Europeia foi promovida como a chave para a paz na Alemanha e na Europa – que os alemães fazem parte de uma comunidade europeia mais ampla, não apenas seu país.

Hoje, além de incluir culpa coletiva, o passado nazista é tratado como uma lição! Os alemães são ensinados desde a idade de dez anos sobre as atrocidades nazistas e cada estudante é obrigado a visitar um campo de concentração. Graças às exportações culturais alemãs como o ótimo futebol, a deliciosa cerveja, o apego à tecnologia, a cultura popular, a identidade alemã transformou-se de potência militarista (hard power) em uma nação que domina pela busca por excelência (essa dominação em que predomina o cultural ao invés da violência para conquistar o mundo, é chamada de soft power).

Placa presente na entrada do Memorial de Auschwitz

Se você realmente quer saber como os jovens alemães lidam com o passado nazista da Alemanha, assista o filme Ele Está de Volta(2015), ou leia o livro também chamado Ele Está de Volta (2014)e Generation War (traduzido como “Nossas Mães, Nossos Pais”), dois dos filmes de maior bilheteria da Alemanha nos seus anos de lançamento.

Os alemães ainda são raramente vistos demonstrando um orgulho específico em sua “germanidade” fora de eventos esportivos. Com o surgimento de um sentido renovado de nação, os alemães sentem-se mais à vontade para demonstrar orgulho por suas origens regionais e estaduais, podendo se declarar, por exemplo, “berlinenses”, “bávaros”, “saxões”. As províncias são como os estados do Brasil, então é mais ou menos a mesma coisa que um brasileiro se orgulhar de ser “mineiro”, “paulista” ou “tocantinense”.

Site oficial do memorial de Auschwitz

Para fazer a visita ao memorial de Auschwitz recomendo comprar o ingresso antecipadamente, no site oficial.

Visite o site oficial do Museu e Memorial de Auschwitz. O ingresso custou apenas 11 euros, com guia de áudio.

Outras fontes para aprender sobre o nazismo

  • Holocaust Memorial Center, em Budapeste, Hungria (sobre o Holocausto na Hungria)
  • House of Terror, Budapeste, Hungria (sobre os efeitos do Nazismo e Comunismo na Hungria)
  • Memorial Dachau, em Munique, Alemanha. Dachau foi o primeiro campo de concentração da história.
  • NS Dokumentationszentrum – O centro de documentação nazista, em Munique, Alemanha.
  • Muenchner Stadtmuseum, o museu da cidade de munique, conta a história da cidade, obviamente sem esconder o nazismo. Esse museu é uma fonte riquíssima de informações.
  • Muro de Berlim…em Berlim.
  • Memorial do Holocausto, em Berlim.
  • Anne Frank Zentrum, em Berlim.
  • Casa de Anne Frank, em Amsterdam, Holanda.
  • Deutsches Historisches Museum, dedicado a história alemã como um todo, mas que novamente não esconde os erros do passado.
  • e MUITOS OUTROS…

Veja minhas fotos do Memorial de Auschwitz:

Basta clicar na foto para ver uma versão maior, assim você conhecerá o que eu vi nesta visita.

 

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Tradutora, redatora e mochileira, trabalho de qualquer lugar desde 2018. Mostro que é possível fazer intercâmbio e mochilão sem precisar gastar demais. Até agora, visitei 23 países, morei na Holanda, na Alemanha, na China. Fiz 5 intercâmbios - 3 com bolsa de estudos e outros trabalhando ou como voluntária - fiz voluntariado no Brasil e na Europa, mochilão pela Europa, e agora estou no Brasil, último destino: Peru.

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