Virando Gringa

Como é fazer intercâmbio de trabalho na Holanda?

Ops…divulgamos o texto errado há aguns dias atrás 🙁
Foi mal! Quem nunca clicou “enviar” sem querer não é mesmo? haha
Segue agora o relato completo sobre como é fazer intercâmbio de trabalho na Holanda:
Meu primeiro intercâmbio foi um work exchange na Holanda, neste post conto um pouco sobre a experiência de fazer um intercâmbio de trabalho nos Países Baixos 🙂
Viajei em 2011, então o preço era um pouco menor do que hoje em dia. Gastei em torno de 4 mil reais iniciais, incluindo a passagem, passaporte e visto. Sim, é muito pouco. Mas lembre-se que isso já faz 7 anos, como eu falei ali no começo.
Agora, para esse post de 26 de novembro de 2018, fui atrás dos valores e esse intercâmbio sai por volta de 7 mil a 8 mil reais.
Nesse post vou falar sobre:
  • como consegui esse intercâmbio na Holanda,
  • o dia-a-dia de trabalho da empresa no exterior,
  • quais eram os gastos mensais desse intercâmbio
  • onde eu morava durante o intercâmbio,
  • como aprendi inglês na Holanda,
  • como mochilar no tempo livre do intercâmbio,

Como consegui esse intercâmbio na Holanda

Foi através de um professor da minha faculdade que me indicou uma ONG holandesa, chamada Stichting Uitwisseling, ou susp.

O processo seletivo foi trabalhoso, mas não foi difícil de entender. Preenchi alguns formulários sobre meus estudos no Brasil, porque fazer estágio na Holanda, pedi uma carta de recomendação para um professor, fiz uma entrevista por skype com uma pessoa da susp, e depois com meu futuro chefe na empresa.

Todo esse processo foi em inglês, inclusive a comunicação com todo mundo da ONG que me atendeu (por e-mail), e as entrevistas também.

Como eles sabiam que eu estava indo para aprender inglês, não exigiram muito de mim na conversação. Me deram tempo pra falar devagar – eu ainda gaguejava porque não tinha segurança em falar inglês. Mal sabia eu que ia voltar fluente em inglês em 8 meses 🙂

A ONG cobrou uma taxa para cuidar da documentação. Mesmo pagando as taxas de visto pra eles, já aprendi o vocabulário sobre documentação porque tinha que preencher e conferir tudo. Do primeiro contato com eles até obter o visto demorou em torno de 3 meses.

Se quiser saber mais deixe um comentário, ou entre no site deles clicando na foto acima.

O dia-a-dia de trabalho da empresa no exterior

 

Meu trabalho era bem simples, mas muito variado!

A cada semana fazia algo diferente, chegando até a representar a empresa numa feira conhecida por lá e por aqui, a Flora Holland.

No dia-a-dia, aprendi sobre todos os cuidados diários necessários para semear, propagar, selecionar, podar, limpar, clonar, regar e tudo mais que você pensar sobre plantas ornamentais. Cuidava da manutenção diária da estufa, e também preparava as plantas para comercialização.

 

Era muito bom o ambiente porque tinha outros estudantes da mesma idade que eu, então conseguia conversar e passar o tempo sossegadamente. Pa

Pra minha sorte, os outros estudantes eram da Holanda, da Coréia, da Rússia, da Nova Zelândia. Tive contato com pessoas de muitos países e foi enriquecedor!

devo confessar pra você que é mecânico…..
então ssim: não venha pensando que eh um estágio super bonitinho…é trampo mesmo!!!
MAS isso pode depender da empresa que voce vai, porque tenho um amigo que ta super aprendendo e quase nao trabalha. então, vai da sorte, vai de vc falar com eles antes de ir, essas coisas

mas tipo meu chefe é demais de gente fina, me levou pra alemanha já, pra exposição de flor em amsterdam e alsmeer, me dá feriado quando eu peço, então o trabalho compensa porque to viajando demais

Dá pra aprender inglês no work exchange?

eu sou essa terceira, pulando com a camiseta da coca-cola/caldo de cana

A convivência diária com o pessoal que trabalhava na estufa comigo era boa pra exercitar meu inglês e finalmente ser obrigada a me comunicar em outro idioma. Quando eu falo “obrigada” parece uma coisa ruim, mas juro que não é haha Na realidade, ter que falar inglês a todo momento foi o que me fez aprender de verdade.

Pela minha experiência própria como aluna e professora de inglês, a imersão é o melhor método para aprender!

Quando você está imerso, tudo ao seu redor está em inglês, tudo que você vai usar tem instruções em inglês, cada ônibus que você vai pegar, cada placa que você vai olhar, comidas que compra, coisas que bebe…é infinitamente maior o volume de vocabulário que você aprende sem perceber!

Fazendo aula de inglês com um professor que consiga falar inglês 100% do tempo e te incentivar a falar, é uma grande ajuda 🙂

Na empresa, aprendi inglês por “sorte”, o senhor que era meu chefe fala 5 linguas, mas o resto do povo na empresa não falava. Convivi muito com os jovens que iam e viam (holandeses estudantes de graduação que vinham pra ganhar uma grana, estudantes de outros países que vinham passar uns dias trampando pra acumular dinheiro e por aí vai). Foi uma “sorte” da empresa ser bem internacional e ter alguns jovens holandeses que falavam muito bem inglês e conversávamos todos os dias.

Coloquei sorte entre aspas porque eu demorei pra escolher uma empresa. Fiz várias entrevistas até encontrar essa empresa, então não foi bem sorte, foi procura intensa mesmo. Mas sorte de ter conseguido achar, pois poderia procurar em vão. Ainda bem que deu certo.

Então vc tem q ver muito bem isso aê!
Tem gente que vai pra outro país e aprende inglês porra nenhuma, porque não escolhe host direito, ou não estuda sozinho durante o intercâmbio, ou fica grudado em uma turma de brasileiros e não fica imerso/a.
Tem gente que até desaprende porque vive com gente que fala inglês errado, toma cuidado com isso. Quando for dividir casa, procure gente que tem um perfil parecido com o seu. Se não der pra escolher o perfil de quem vai morar, pergunte ao host ou a empresa sobre oportunidades e explique o objetivo da viagem pra eles. Você está pagando, não tenha vergonha de exigir!

Quais eram os gastos mensais desse intercâmbio? O dinheiro mensal (living cost) é suficiente?

Essa foto é com francos suiços, mas na Holanda o salário era em euro mesmo haha A unha zuada? É em todo país 🙂

Essa parte é muito prática e muito fácil. A questão do dinheiro ser suficiente ou não depende exclusivamente de você.

Meu exemplo: O salário que recebia era de 600. Pagava aproximadamente 200 de aluguel e contas (pra ter um quartinho pequeno, mas individual, algo que prezo muito :)). Vivia separada família então tinha 190 adicional de comida.
Aí que falo que depende de você: Esse adicional de comida não é super alto se você come fora todo dia. Não dá. Se você sai beber todo dia, também não dá. Se você tem preguiça de pedalar e fica indo de ônibus…esquece.
No país das bikes, a vida é mais lenta e sossegada, pelo menos em cidades pequenas como era Sint-Oenderode, onde eu morei (a 20 minutos de Eindhoven).
Tem que cozinhar em casa mas isso é bom!
Eu me tornei uma cozinheira melhor, consegui priorizar a dieta vegetariana (sorte que lá os queijos são baratos e MUITO gostosos), e consegui experimentar culinária holandesa de verdade, porque comia o que eles comiam. Inclusive trocava receitas com as tiazinhas da empresa hahah
Por causa disso, eu fazia esse adicional durar muito mais do que um mês, então sempre sobrava dinheiro pra mim. Gastava com passagem ;D
Em outros intercâmbios também trabalhei em festa pra gerar mais dinheiro. Fiz até um casamento uma vez em Wageningen, mas isso é assunto pra outro post.

Onde eu morava durante o intercâmbio?

Eu morava numa casa compartilhada nos fundos dessa casa.

Primeiro olha ela no verão que fofa

Essa é a casinha no inverno

Dá pra ver a minha janela ali do lado direito e a dona Ria (minha anfitriã) fazendo uma sopinha de ervilha quentinha 🙂

A casinha costumava ser o barracão deles, mas reformaram e resolveram receber intercambistas por insistência do dono da empresa onde trabalhei, já que eles recebiam muita gente e precisavam de um lugar perto da empresa.

A casa tinha uma sala com TV, além da cozinha já equipada com geladeira, fogão e uma fritadeira, porque holandês ama fritar coisas! Os 3 quartos eram bem equilibrados (um bem grande um médio e um pequeno) e o banheiro compartilhado. Mas sempre tinha 3 estudantes no máximo, então é muito fácil organizar.

A maior parte do tempo meu companheiro de casa foi o menino coreano que também trabalhava na empresa.

 

Como mochilar no tempo livre do intercâmbio?

↓↓↓↓↓↓↓↓↓↓Leia minhas dicas sobre mochilão ↓↓↓↓↓↓↓↓↓

Qual a carga de trabalho no work exchange?

Eu trabalhava bastante, apesar de ser menos do que trabalhava no Brasil, vou explicar minha carga horária no intercâmbio de trabalho na Holanda:
  • Entrava as 8h e saía as 17h, mas morava a 900 metros do trabalho e ia de bicicleta para o trabalho todos os dias. Mesmo com neve até o pescoço hahahah

  • A cada uma hora, tinha um break de 5 a 10 minutos – obrigatório.
  • A hora do almoço durava exatamente 1 hora, nem 1 minuto a mais, nem 1 minuto a menos. Comia na empresa e tinha refeitório, mas não lanchoente – todo mundo levava a própria comida de casa, incluindo o dono da empresa.
  • Todo mundo saía as 17h, não tinha essa de “quem fica até mais tarde é bem visto, etc”. Esse apego ao cumprimento de horários é por diversas razões, desde o ramo da empresa, até o pensamento do próprio dono. Não acho que seja uma “característica do país”, então melhor você conferir bem isso quando for fazer seu intercâmbio. Dito isso, todos os holandeses que conheci eram pontuais 🙂 Se todos os holandeses, todos os 17 milhões são pontuais? Não sei.
  • As férias eram de 2 meses por ano, que eu podia tirar do modo como desejasse. MESMO. Eu tinha 60 dias férias no ano e fazia com eles o que bem entendesse. Desde que avisasse meu supervisor com 1 mês de antecedência. Como eu sou uma boa funcionária, visto a camisa da empresa™ e todas essas coisas que vocês tão ligados, às vezes eu não conseguia tirar as férias exatamente no dia que eu queria. Pois caso eu saísse, poderia fazer falta na rotina da empresa. Mesmo assim eu tava na Holanda (bem no meio da Europa) e conseguia viajar direto pra países vizinhos como a Bélgica, ou Alemanha, ou França, ou UK. Então eu tava mais do que satisfeita com essas viagens curtas, vamo combinar.
  • Costumava tirar sempre pequenas férias de 4 dias. Pegava 2 dias das minhas férias do ano, e juntava com um final de semana. Se você pensar, tirando 2 dias assim (que viram 4) você consegue tirar 30 férias curtas por ano 🙂
  • O processo é bem diferente do Brasil. Quando meu supervisor aprovava as férias eu preenchia um formulário contando o motivo, quantos dias queria, etc – como uma proposta. Daí o RH analisava com o resto do escritório os pedidos que iam vir, as demandas da empresa, etc e me respondia de volta um sim, não ou “que tal isso aqui?” na maioria dos casos propondo novas datas – quase nunca negando férias. Se há flexibilidade de férias no país todo? Não sei. Como falei, tem que ver o seu caso.

Dá pra guardar dinheiro no intercâmbio de trabalho?

Novamente, depende de você: Se viaja muito, o que come, o que bebe, pra onde vai…Um conselho que dou é fazer um orçamento mensal, anotar mesmo o quanto você tem de dinheiro, pra onde deseja ir, quais são seus objetivos com a viagem…

Se quiser ajuda para planejar um intercâmbio, mande um e-mail para virandogringa@gmail.com, eu presto consultoria por um preço bem acessível 🙂

Dificuldades do intercâmbio de trabalho?

Vai depender muito do país e do tipo de trabalho! No meu caso, a Holanda não tem tanto sol como no brasil, o que fez uma diferença enorme pro meu bem-estar. Falta de sol dá deprê. Parece que isso é muito besta, eu sei. A qualidade de vida na Holanda era muito maior, eu andava só de bicicleta, trem, ônibus, tram ou à pé. Já experimentou a vida sem carro? Então qualquer deprê era imensamente recompensada. Sem falar dos queijos e outros typical dutch treats. Quando cheguei pensei que a falta de sol não ia me afetar em nada, mas quando chegou o primeiro inverno, meu humor não era mais o mesmo. De qualquer forma, quem mora nos países frios é muito preparado pra isso, eles te ensinam o que é bom comer pra ficar mais leve e animado, que exercícios você pode fazer mesmo com neve, e se precisar pode tomar vitaminas.

Ficar longe da família é um desafio pra quem faz intercâmbio. Skype é legal pra trocar ideia com seus amigos, mas não é a mesma coisa que abraçá-los ou olhar nos olhos falando merda sentado na rua de noite. Pessoal que é do interior entende. Quem é de sampa: não é a mesma coisa que topar com seu amigo no meio do metrô lotado e sair correndo rindo na direção dele haha

A comida do outro país é diferente: Pra mim isso é um ponto positivo na verdade, porque adoro comer coisas estranhas haha

Mas tem gente que não curte! Você pode ir no mercado comprar vegetais, mas não pode ir na padaria comer coxinha por exemplo.

Em compensação, tem morango crescendo em todo lugar, então em vez dever gente vendendo melancia na beira da pista como a gente tem no br, você gente vendendo morangos e cerejas. Pra quem não me conhece: Morango = Paraíso <3

Se não for a Holanda, ache um país que a comida te agrade, pois você não vai poder comer fora toda hora, nem viver de mc donalds! O jeito mais barato de se alimentar no intercâmbio é comer local.

Qual o tempo ideal para um intercâmbio de trabalho?

Já escrevi sobre o período ideal pra fazer um intercâmbio (6 meses ou um ano?).

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