Virando Gringa

Mais de 400 mil passageiros afetados: o que está acontecendo com a Ryanair?

Considerada a maior empresa aérea da Europa em número de passageiros em janeiro de 2017, ultrapassando a concorrente Lufthansa, a Ryanair hoje enfrenta uma crise sem precedentes.

Em fevereiro de 2017, a Ryanair foi a companhia aérea mais lucrativa da Europa, segundo pesquisa de Bjorn Fehrm para a Leeham news.

Países, dados e frota da Ryanair em fevereiro de 2017. Fonte: Ryanair.

A low-cost mais popular da Europa foi formada em 1984 por Tony Ryan e sócios, começando com sua primeira aeronave, brasileira, uma Embraer Bandeirante com apenas 15 lugares. Seu primeiro vôo foi entre Waterford Airport (ao sul de Dublin) e London Gatwick (Londres).

A Ryanair começou para competir com Aer Lingus e British Airways, e hoje em dia transporta mais pessoas do que essas duas empresas combinadas! Bom, pelo menos até agora…

Crise na Ryanair

15 de setembro:

A companhia anuncia o cancelamento de centenas de voos de setembro até outubro, oferecendo alternativas como “voe daqui uma semana”, ou “voe daqui a 3 dias”. E para completar o pacote, diz que vai “continuar cancelando nas próximas 6 semanas”.
Os passageiros claro, ficaram muito putos da vida. A empresa falhou ao responder às reclamações de forma vaga, dizendo que “lamenta pelo pequeno número de passageiros afetados”.

Nessa primeira leva foram mais de 9 mil pessoas que tiveram vôos atrasados ou cancelados.

Devia ter fico na resposta vaga, porque o que veio depois errou feio, errou rude.

Michael O’Leary, CEO da Ryanair disse que os passageiros afetados “podem escolher entre pedir um reembolso ou pela remarcação seu vôo com a empresa“. No entanto, os clientes têm direitos nos termos da legislação dos Direitos do Passageiro Europeu. Simon Calder, editor de viagens do Independent, disse: “As regras dizem que se a companhia aérea não tem um vôo alternativo adequado, você precisa ser reservado em uma companhia aérea rival“.

Ele disse que os passageiros também deve ser capaz de reivindicar a compensação para os cancelamentos. A empresa se negou a responder publicamente.

16 de setembro:

A empresa publicou o cancelamento oficial de 8 linhas de voos que iam e voltavam diariamente de/para Dublin.

O’Leary declara que Ryanair inicialmente estava cancelando vôos “para melhorar a pontualidade“. Diz ainda que “uma combinação de controle de tráfego aéreo, atrasos e greves, perturbações climáticas e o impacto de alocações de férias aumentadas para pilotos e tripulação de cabine” prejudicou a pontuação de pontualidade da empresa.
Declararam ainda que o problema foi uma mudança de calendário da empresa, pois não começavam o ano em janeiro, mas sim em abril. Porém, o governo da Irlanda pediu que a empresa ajustasse seu calendário ao fucking resto do mundo às normas da União Europeia.

A mudança de calendário causou mudanças em todo o sistema, assim bagunçando as férias de centenas de pilotos, e consequentemente as férias de centenas de milhares de passageiros. O problema é que os pilotos nunca podem tirar férias ao mesmo tempo que os passageiros, pois não pode faltar piloto nas altas temporadas. Além disso, é preciso evitar que os pilotos puxem turnos duplos para cobrir os vôos, devido às regras sobre Limitações de Tempo de Vôo da UE, que restringem quantas horas em um mês o piloto pode trabalhar: 100 em 28 dias, 900 em um ano ou 1.000 em período de 12 meses.

O’Leary alegou que esta regra prejudicou a empresa, impedido que pilotos pudessem contribuir para que a empresa mantenha sua baixa taxa de atraso. Socorro. Nessa época, prometeram aumentar o número de aeronaves no ar para compensar o erro.

17 de setembro:

O governo da Irlanda e a UE declaram que a Ryanair é obrigada a reembolsar os passageiros que tiveram seus voos cancelados com menos de 2 semanas de aviso. Ou seja, quase todos, pois estavam avisando passageiros dias antes de seu voo, e em alguns casos até mesmo horas antes.

18 de setembro:

A empresa anuncia que vai publicar a lista completa de voos cancelados o mais rápido possível.

O CEO declara oficialmente “we messed up“, na melhor linguagem coloquial que eu já vi um CEO usando na vida. #euri

18 voos diários são cancelados entre as cidades de Dublin, Manchester, Barcelona, Londres, Bristol, Bruxelas, Amsterdam, Cracóvia e Berlim.

A empresa confirma que os aeroportos que terão voos removidos são Dublin, Barcelona, Bruxelas, Lisboa, Londres Stansted, Madrid, Milão Bergamo, Porto, e Roma Fiumi.

O’Leary declara que a Ryanair não pagará por vôos agendados pelos passageiros que perderam suas férias pelo erro da Ryanair. Everyone gets really pissed.

19 de setembro:

Até esta data pelo menos 140 dos pilotos da ryanair se juntaram à empresa rival norueguesa.

O CEO então negou que a companhia aérea estava sem pilotos. Ele disse: “Esta é uma bagunça da nossa própria criação. Peço desculpas sinceramente com todos os nossos clientes por qualquer preocupação ou preocupação que isso os tenha causado no último fim de semana“.

Essa não é a primeira vez que a Ryanair, ou Michael O’Leary em específico, agem de forma completamente sem noção. Essa reportagem do Telegraph lista algumas gafes.

22 de setembro: 

Vários pilotos classificam a Ryanair como “uma desgraça” quanto à sua incapacidade de resolver os problemas de férias, e consequentemente garantir seus direitos trabalhistas.

Devido à falta de tato de Michael O’Leary com a mídia, e as acusações de pilotos alegando que ele teria pedido que eles abrissem mão de suas férias, a empresa está perdendo pilotos numa velocidade tão rápida quanto de suas aeronaves.

até 26 de setembro: Mais 18.000 voos são cancelados com um prazo de aviso muito curto. A empresa continua não atendendo corretamente os passageiros que reclamam.

última notícia até 27 de setembro: 

Ryanair declara em seu site oficial que estará mesmo reduzindo sua frota, e consequentemente seu crescimento, para que tenham maior controle e mantenham seus horários corretamente e evitem outra onda de cancelamentos.

Uma lista dos voos cancelados está ainda no site oficial.

Resumo da situação

Combine o desejo compreensível dos pilotos de usar suas férias em vez de perdê-las ou vendê-las; as regras inquebráveis sobre Limitações de Tempo de Vôo; a tentativa de agrupar as férias de todo mundo para antes da alta temporada… e pronto! A Ryanair simplesmente não tem pessoal suficiente para operar os 2.200 vôos por dia!

Será o fim?

Como já era esperado, a Ryanair perderá cada vez mais espaço para as muitas concorrentes. Uma das empresas que mais promete crescer é a Norwegian. A companhia norueguesa sempre ofereceu vôos low-cost principalmente na noruega (dãr) e na Inglaterra, porém desde 2009 vem expandindo para toda Europa, e ainda para locais bem mais distantes e fora do círculo europeu, como Singapura.

A norwegian oferece mais qualidade nos vôos overseas, e tem até passagens pra Londres -Nova York por 60 libras. Imagina?

Destinos cobertos pela Ryanair e pela concorrente Norwegian até setembro de 2017. Apesar da Ryanair cobrir maior número de destinos dentro da Europa, a companhia norueguesa voa para fora do continente e está próxima de superar a irlandesa também em casa. Fonte: Telegraph.

Além de ser uma concorrente bastante competitiva, a Norwegian está provando sua liderança ao contratar milhares de pilotos que saíram da Ryanair devido ao escândalo!

Muita água vai rolar ainda, em breve atualizações nessa confusão!

Precisa de hospedagem barata em qualquer lugar do mundo?
Reserve por Aqui e ajude o blog sem pagar nada a mais por isso!
E que tal visitar museus pela Europa sem fila?
Reserve com o TicketBar Aqui e ajude o blog sem pagar nada a mais por isso!


Quer saber tudo e mais um pouco sobre veneza?
Compre o e-book! Aqui e ajude o blog sem pagar nada a mais por isso!


Related Posts

Leave a Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *