Testes de proficiência de inglês: diferença entre os principais exames

Qual a diferença entre os testes de proficiência de inglês como o TOEFL, TOEIC, IELTS e Cambridge? Qual exame de proficiência vale mais a pena? Quanto tempo dura cada um dos certificados? É o que vamos descobrir hoje 🙂

Nesse post vou falar sobre as principais características e diferenças entre TOEFL, TOEIC, IELTS e Cambridge. Esse tipo de exame costuma ser pedido por universidades em processos seletivos, além de serem úteis para comprovar sua proficiência para o trabalho também. Por exemplo, como tradutora eu sempre envio para agências quando pedem alguma comprovação.

teste de proficiência em inglês: o que é?

Existem vários níveis de proficiência em inglês, desde o básico até o fluente. Para a maioria dos testes de proficiência de inglês você precisa comprovar que consegue se virar em 4 habilidades principais:

  • reading (compreensão de leitura do idioma),
  • listening (compreensão ao ouvir o idioma),
  • speaking (falar fluentemente ou próximo disso) e
  • writing (escrever no idioma).

Primeiro, preciso explicar que TOEFL e TOEIC são de propriedade da ETS (Educational Testing Service), empresa americana responsável pelos principais testes estudantis aplicados nos EUA. Então, são focados no inglês dos Estados Unidos. Essa empresa também é responsável pelos vestibulares de lá (SATs) e também outros exames acadêmicos como o GMAT e GRE.

Você já deve ter adivinhado que os testes de proficiência de Cambridge são focados no inglês britânico. São tradicionalmente aplicados pela Universidade de Cambridge (UK) e atendem vários níveis. Por isso, a prova pode ser feita por pessoas em diferentes estágios de aprendizado, não só os avançados como é o caso do TOEFL.

Porém, vale lembrar que essas provas são muito caras para quem vive em reais, então eu não faria antes de atingir o nível B2. Continue lendo para saber o que é nível B2 e também quanto custa cada um dos testes de proficiência de inglês.

COMO FUNCIONA UM TESTE DE PROFICIÊNCIA

O que é o nível B2 que falei acima? O intermediário superior. Peraí, vou explicar: praticamente todos os testes de proficiência levam em consideração o Quadro Europeu de Referência para Línguas que classifica os níveis de proficiência em idiomas de A1 até C2:

Nível A1 – Básico – Início ou Descoberta

O nível mais básico é aquele com a maior curva de aprendizado, você aprende um montão de palavras novas e tudo parece interessante. Geralmente é a fase que você está animado com o idioma e louco pra aprender. Nessa fase você consegue entender expressões do dia a dia, além de frases básicas direcionadas a satisfazer necessidades concretas.

Por exemplo, aprende a dizer seu nome, sua idade, onde mora, além de falar coisas simples sobre suas necessidades como “estou com frio”, “estou com fome”, “estou com sede”. Nessa fase você até pode interagir com nativos (você sempre pode, independente do nível!) mas só vai entender se eles estiverem com disposição para falar devagar e articulando bem as palavras.

Nível A2 – Básico Elementar

Depois de se situar no idioma e conhecer um monte de palavras novas, nesse nível você amplia a capacidade de usar entender frases e expressões relacionadas com áreas familiares ao utilizador, como informações pessoais e familiares básicas, compras, geografia local, emprego.
Pode comunicar de maneira simples em situações familiares que requerem troca de informações curtas e precisas, começa a conhecer tempos verbais, pode descrever aspectos sobre os seus conhecimentos, o ambiente onde vive e as necessidades imediatas.

Nível B1 – Intermediário

A partir desse nível já é possível fazer uma viagem de turismo e se virar bem! Também já conseguirá escrever textos curtos, falar sobre o futuro, experiências, eventos, sonhos, desejos e ambições.

Vai depender muito da experiência de cada um, mas nesse nível você poderá ler livros em inglês. Recomendo ler livros de ficção voltados para adolescentes, porque o vocabulário é diferente. Mas é possível começar a tentar ler textos complexos, como artigos jornalísticos.

Se passa tempo no youtube, dá pra começar a assistir canais de ciência como Hank Green ou VSauce. Vai parecer muito difícil no começo, mas é bom começar a aumentar seu vocabulário ainda mais.

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Nível B2 – Intermediário superior ou independente

Você está quase fluente. É capaz de entender ideias principais de textos complexos que tratem de temas tanto concretos como abstratos, inclusive textos técnicos, principalmente se forem da sua área de especialização.
Nesse nível, você vai conseguir interagir com nativos, talvez um pouco devagar de vez em quando – mas sem grandes esforços, sem dar branco.
A essa altura você já consegue escrever textos, por exemplo, um diário de viagem. Pode debater sobre pontos de vista, e consegue expressar sua opinião no idioma de destino com facilidade.

Nível C1 – Avançado ou proficiência operativa

Segundo o manual do quadro europeu, nesse nível você consegue compreender uma ampla variedade de textos extensos e com um certo nível de exigência, assim como reconhecer nestes, sentidos e ideias subjetivas ou implícitas.
Para atingir esse nível é bom que você conheça cultura e atualidades sobre o país que fala aquele idioma, ou a cultura ao redor dele.

A pessoa no nível C1 se expressa de forma fluente e espontânea, sem demonstrar muitos esforços para encontrar uma palavra ou expressão adequada. Pode fazer uso efetivo do idioma para fins sociais, acadêmicos e profissionais.
Pode produzir textos claros, bem estruturados e detalhados sobre temas complexos, mostrando o uso correto dos mecanismos de organização gramatical, articulação, argumentação e coesão de texto.

Nível C2 – Proficiente ou fluente

É a pessoa que se comunica como nativo. Conhece detalhes do idioma, falsos amigos, gírias e, provavelmente, tem conhecimento geral sobre a cultura como ditados populares, história, grandes personalidades e outros costumes de quem é falante nativo desse idioma.

Um dos grandes facilitadores da fluência é a IMERSÃO CULTURAL. Se você conseguir mergulhar em um idioma da mesma forma que mergulhou no português por toda sua vida (sem perceber), sua jornada para a fluência será muito mais rápida.

É capaz de compreender com facilidade praticamente tudo o que ouve e lê.
Sabe reconstruir a informação e os argumentos procedentes de diversas fontes, seja em língua falada ou escrita, e apresentá-los de maneira coerente e resumida.
Pode expressar-se espontaneamente com grande fluência e com um grau de precisão que lhe permita diferenciar pequenas matizes ou nuances de significado, inclusive em situações de maior complexidade.

como funciona CADA TESTE DE PROFICIÊNCIA

Testes de proficiência de inglês abordados nesse post:

  1. TOEFL
  2. TOEIC
  3. IELTS
  4. Cambridge

1. Como funciona a prova do TOEFL

A prova do TOEFL – Test of English as a Foreign Language – tem duração total de 4 horas e meia, mas você pode sair se terminar antes, claro. Durante o teste não é permitido fazer nenhuma consulta, apenas anotar coisas num papel que é entregue no momento da prova. Não é permitido levar suas próprias anotações.

É certamente o teste de proficiência de inglês mais conhecido de quem está lendo, por ser aceito praticamente no mundo inteiro. Por exemplo, quando estudei na Holanda, minha proficiência foi comprovada com o TOEFL, que é pedido em diversos países com programas para alunos internacionais/intercambistas.

TOEFL: quais são as modalidades?

As siglas do TOEFL podem ser bem confusas, então tome cuidado para não adquirir o teste errado!

  • TOEFL iBT (internet based test)
  • TOEFL CBT (computer based test)
  • TOEFL PBT (paper based test)
  • TOEFL ITP (institutional testing program)

A primeira – iBT – é a mais aplicada no mundo, pois é feita online e você só precisa ir até um centro de testes. No Brasil existem centenas, basta procurar direto no site da ETS. Já as modalidades CBT e PBT são aplicadas em locais com menos recursos tecnológicos, pois são os testes feitos em papel. Hoje em dia, os testes em papel são uma modalidade quase abandonada.

Já o TOEFL ITP é um exame institucional, feito para avaliar o desempenho dos estudantes dentro de uma escola de idiomas, por exemplo. Essa modalidade NÃO É ACEITA como documento para você se candidatar em algum curso universitário no exterior.

“Ou seja, as faculdades no exterior aceitam somente as modalidades iBT, CBT ou PBT. A modalidade ITP só tem valor dentro da instituição onde foi aplicada (escola de idiomas onde você estuda, ou empresa na qual trabalha). No site oficial, a própria ETS afirma que o TOEFL ITP não deve ser usado para fins de admissão em faculdades e muito menos como um substituto do TOEFL iBT”.

Quanto custa a prova do TOEFL? No dia que escrevi esse post, estava custando USD 215, ou R$ 1060. O TOEFL iBT Home Edition, que foi lançado durante a pandemia, tem o mesmo valor. Confira tudo sobre ele nesse post da Bruna do Partiu Intercâmbio.

2. Como funciona o TOEIC

TOEIC significa Test Of English for International Communication e tem 200 questões, sendo 100 de compreensão auditiva e 100 de leitura. Recentemente, a ETS anunciou que vai adicionar partes de fala e escrita nas questões do TOEIC, então logo mais ele ficará parecido com o TOEFL – porém você pode testar as habilidades separadamente.

Acredito que o conteúdo continue diferindo entre eles! Enquanto o TOEIC tem um perfil mais corporativo (business), o TOEFL foca bastante no mundo acadêmico. E quanto é preciso tirar no TOEFL para estudar no exterior? Cada faculdade pode estabelecer os critérios de nota de acordo com os cursos oferecidos.

Porém, recomendo tentar tirar acima de 80 no TOEFL, pois essa é a média que costumo ver nas universidades que pesquiso. Não desanime se você tirar entre 65-80 no TOEFL, pois ainda é possível ser aceito em universidades e processos seletivos com essa nota.

E quanto preciso tirar no TOEIC para estudar no exterior? A pontuação do TOEIC funciona de uma maneira bem diferente do TOEFL. Tem 2 provas diferentes, e cada uma tem duas partes. Na prova de Listening & Reading a pontuação vai de 10 até 990. Cada parte dessa prova é avaliada individualmente, e você pode somar entre 5 e 495 pontos no Listening, e entre 5 e 495 pontos no Reading.

Seu exame não terá validade se você zerar na leitura ou audição. Tirando o mínimo nas duas provas recebe a nota 10 e se acertar o máximo, fica com 990 pontos. Já no exame de Speaking & Writing do TOEIC, o sistema é parecido, mas a variação das notas é de 0 até 400, sendo 200 pontos da prova de Speaking e 200 pontos da prova de Writing. Ela também se diferencia no nível de proficiência comprovado.

Enquanto no exame de Listening & Reading são oferecidos seis níveis que podem ser relacionados ao Quadro Comum Europeu (CERF), no caso da prova oral e escrita são comprovados 8 níveis na primeira e 9 na segunda.

Assim como acontece com o TOEFL, o TOEIC tem validade de dois anos e o valor por volta de R$ 1000 dependendo da cotação do dólar. Uma semelhança entre esses dois testes é que eles tem validade, então você precisará renovar de tempos em tempos. Que não é o caso dos próximos testes de proficiência de inglês da nossa lista.

3. Como funciona o IELTS

O IELTS foi criado pela Universidade de Cambridge e é administrado pelo British Council. Diferente do TOEFL, não tem prazo de validade, mas pode ser refeito conforme você evolui. Apesar de não ter data de validade definida, muitas universidades costumam exigir exames realizados há menos de 2 anos.

A nota funciona em uma escala de 0 a 9. A prova é dividida em dois módulos, um chamado de Academic Module – voltado a candidatos de graduação e pós-graduação; e o General Training Module – voltado para o mercado de trabalho.

A prova do IELTS – International English Language Testing System – é aplicada em todo o Brasil com mais de uma data por mês, com uma frequência um pouco menor que o TOEFL e custa por volta de R$ 1000 dependendo da cotação do dólar.

Compare alguns exames com o Quadro Europeu para entender melhor o próximo e último item na nossa lista de testes de proficiência de inglês. Nesta figura você vê o quadro europeu (CEFR) do lado esquerdo, os testes de Cambridge em laranja e o IELTS do lado direito em vermelho.

4. Como funciona o teste de Cambridge

Existem diversas opções de teste de proficiência de Cambridge, o portfolio completo tem mais de 25 opções desde o mais básico até o fluente. Vou falar apenas sobre alguns dos principais tipos neste post!

O teste de proficiência de Cambridge C2 (CPE) é equivalente em dificuldade ao TOEFL e IELTS. Ele é aceito em grande parte dos países que falam inglês no mundo, prioritariamente no Reino Unido, na Nova Zelândia, na Austrália. Então, se for participar de algum processo seletivo específico, confira as regras e a pontuação mínima exigida para a aprovação, já que as exigências variam de um local para outro e esta prova é tão cara quanto as suas companheiras (na faixa de R$ 1000).

O CPE é apenas um dos produtos aplicados pelo Cambridge English – o departamento da Universidade de Cambridge que aplica testes de proficiência de inglês. Provavelmente, você tentou achar um teste no site deles e não entendeu nada. Pelo menos eu me senti assim na primeira vez, então vamos aos principais tipos:

  • KET (Key English Test): Ter essa certificado prova que você domina noções básicas de inglês, ou seja, se você precisa comprovar somente que sabe o fundamental para conseguir se virar em outro país, pode ser uma opção.
  • PET (Preliminary English Test): O PET é indicado para pessoas com nível intermediário em inglês. Ele testa a capacidade de lidar com situações do cotidiano em um nível um pouco mais elaborado. Basicamente, equivale ao A2 no quadro europeu.
  • FCE (First Certificate in English): Se você precisa de inglês suficiente para estudar, trabalhar e comunicar-se de forma apropriada morando no exterior, o FCE é o exame indicado. Ele não chega a ter um nível de detalhamento extremamente aprofundado, mas significa que você conhece os elementos necessários para viver socialmente e atuar no cotidiano de um país estrangeiro. Eu diria que é equivalente a um B2 no quadro europeu.
  • CAE (Certificate in Advanced English): Significa que você tem inglês avançado. Conhece um vocabulário extenso o suficiente para resolver situações complicadas com tranquilidade, entende particularidades do idioma e domina todas as 4 habilidades acima do intermediário.
  • Teste de proficiência de inglês Cambridge CPE: Todas as provas de inglês anteriores comprovam as competências dos candidatos na língua inglesa, mas somente o CPE (Certificate of Proficiency in English) oferece o título de fluente ao candidato. Essa prova é a certificação máxima oferecida pela Cambridge University. Tem que sentar a bunda na cadeira e estudar que nem um condenado pra passar nessa xD

diferençaS entre toefl, TOEIC, ielts e cambridge

Já recebi essa pergunta antes, então vou começar dizendo que não existe um teste de proficiência em inglês mais fácil que o outro, tudo vai depender do quanto você estuda pra fazer a prova. Como já vimos, são provas caras de qualquer forma, então é bom fazer somente quando tiver estudando o suficiente.

Todas elas possuem níveis de dificuldade parecidos, mas o TOEFL costuma assustar mais pela rapidez exigida na prova. Muita gente reclama que “consegue fazer o simulado, mas não a prova”, porque fazendo o simulado em casa é possível tomar mais tempo para pensar na resposta.

Porém, o IELTS e o Cambridge podem ser mais exigentes em relação ao vocabulário e ao entendimento do inglês britânico – que não é comum no dia-a-dia do brasileiro. Se pensarmos bem, a maioria dos conteúdos (filmes, séries, programas de TV, canais do youtube) que nós assistimos, vem dos EUA.

Então é normal que brasileiros conheçam expressões norte-americanas como os phrasal verbs mais usados nas séries que amamos 🙂

Por isso, pode acabar sendo mais fácil para um brasileiro fazer o TOEFL do que o Cambridge. Mas tudo vai depender do quanto você convive com aquela variante do idioma. Se você assiste um monte de séries britânicas, vai ter facilidade com IELTS e Cambridge.

Apesar dessas diferenças “regionais”, se você estudar bastante e fazer imersão no idioma, vai conseguir passar em qualquer um desses testes. Se ainda não fala, comece um curso de inglês hoje.

Tradutora, redatora e mochileira, trabalho de qualquer lugar desde 2018. Mostro que é possível fazer intercâmbio e mochilão sem precisar gastar demais. Até agora, visitei 23 países, morei na Holanda, na Alemanha, na China. Fiz 5 intercâmbios - 3 com bolsa de estudos e outros trabalhando ou como voluntária - fiz voluntariado no Brasil e na Europa, mochilão pela Europa, e agora estou no Brasil, último destino: Peru.

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