Minha experiência com nomadismo digital sendo tradutora e redatora

Nesse texto vou compartilhar minha experiência como nômade digital. Trabalho como tradutora e redatora, além de gostar muito de viajar, então venho tentando juntar as coisas!

Nômade Digital é um termo bem novo e tem várias definições. Alguns dizem que é alguém sem moradia fixa, que trabalha enquanto viaja, ou viaja enquanto trabalha. Pode ser alguém que resolveu empreender e conduz seu negócio digitalmente enquanto viaja. Pode ser apenas alguém que tem um trabalho remoto, onde basta carregar o equipamento consigo para trabalhar, o que facilita pra viajar bastante.

De modo geral, quem é nômade digital tem profissões que permitem abrir mão do escritório e trabalhar a distância, seja para seu próprio negócio online ou em consultoria. A facilidade de um emprego remoto acaba motivando a viajar. Ou a vontade de viajar acaba motivando a procurar empregos remotos. Definitivamente um desses dois hahahah

Minhas experiências com a rotina de nômade digital

Trabalhando remotamente em um hostel no Peru: O Peru foi minha única experiência com trabalho remoto em viagem internacional. Trabalhei remotamente em Belo Horizonte, Goiás, Curitiba, Sampa e, mais recentemente, em Aracaju (2019).

No Peru foi um pouco diferente, pois estava em um hostel que não tinha mesas nem área de “silêncio”, porque eu não me planejei! Foi um pequeno problema, resolvido indo a um café local com meu notebook, mas é preferível não caminhar com computador sozinha numa rua desconhecida. Quanto menos tirar o notebook do hostel melhor, afinal ele equivale a muitas horas de trabalho!

Por essas e outras, sempre procure hostels que tem mesa ou espaço pra trabalhar. Isso é mais comum do que você imagina. E se não achar, pesquise bem sobre coworkings e espaços coletivos onde você pode trabalhar, coisa que encontrei com extrema facilidade em Sampa e Curitiba!

Em todas esses casos, tem algumas dicas para trabalhar de forma remota que foram essenciais pra deixar minha rotina mais prazerosa pra mim e pra quem viajava comigo.

  • Organizar os horários com antecedência

Pra mim é muito importante ter meus trabalhos organizados, pois se eu perder o controle dos meus trabalhos eu perco o controle das minhas horas, e toda a proposta de ser nômade pra mim é retomar o controle das minhas horas.

Pensei assim: Se você sabe que tem um trabalho pro dia 19, pra que deixar pra ver só no dia 18 o que vai fazer? De modo algum! Você tem que, no dia 01, saber quantos trabalhos tem daqui até o dia 30, ou pelo menos até o dia 15, pra você poder planejar tudo com pelo menos 2 semanas de antecedência.

Esse é meu grande objetivo: Ter uma rotina bem planejada!

Não estou dizendo que sou a rainha do planejamento, nem que nunca erro. Mas tento ao máximo me planejar. Tenho um Planner, que mostrei em outro post. Tenho uma lousa branca cheia de post-its organizados por ordem de urgência e categoria, onde eu enxergo o tamanho do perrengue que me enfiei quando decidi virar freela hahahah Mas eu amo essa vida, pois adoro planejar e adoro quando consigo cumprir. É uma grande satisfação conseguir conduzir meu trabalho sozinha.

Essa é a grande diferença entre ter uma rotina planejada e uma rotina presa: a satisfação. Pode parecer mesmo balela de coaching motivacional, mas juro pra vocês: no escritório me sentia presa. Me sentia improdutiva. Não porque me faltavam horas, mas porque eu sabia que teria que ficar um número exato de horas, todo santo dia, no mesmo santo lugar, fazendo a mesma fucking coisa.

Ao trabalhar remotamente, eu também dedico muitas horas. E também faço coisas que não são 100% agradáveis. Eu faço planejamento das minhas deadlines, orçamento dos meus boletos e do que recebo (e são vários bancos e vários clientes pra organizar!). Eu mesma planejo meu tempo de trabalho, por isso digo que é bom ser honesto com o quanto você produz e saber que a velocidade vem com o tempo.

  • Estabelecer o ritmo de trabalho honestamente

Como já estava falando, conheça seu ritmo e estabeleça o tempo corretamente. No começo do meu mochilão de 2018, quando trabalhava remota dessas cidades que mencionei acima, eu achava que era só listar as minhas tasks e ir fazendo uma por uma. Eventualmente eu ia terminar tudo.

Descobri a duras penas que cada task tem 200 subtasks e que eu preciso entender profundamente cada detalhe de cada task, pra poder planejar pelo menos o que vou fazer nos períodos do meu dia.

É importante conhecer o quanto você consegue produzir por dia, seja em qualquer trabalho de nômade digital, como os que eu vou listar abaixo. Se vai traduzir, saiba quantas palavras consegue fazer por dia, e nunca prometa ao cliente mais do que você consegue cumprir.
Se tivesse que dar um conselho, diria até para prometer menos, assim tem chance de surpreender! hahahah

Se eu deixar a lista inteira na minha frente com tudo que tenho que fazer nos próximos 10 ou 15 dias, tem duas possibilidades: 1) eu vou enlouquecer vendo tudo que tem pra fazer e vou simplesmente procrastinar por pânico, ou 2) eu vou começar a fazer tudo, e deixar várias coisas não-terminadas porque tô em pânico fazendo tudo ao mesmo tempo.

Planejar é acabar com o pânico!

(sim, sou virginiana, se isso importa pra vc).

  • Usar a tecnologia a favor da minha produtividade

Eu simplesmente não consigo mais viver sem alguns apps que ajudam na organização de trampos. O primeiro é o Trello, um app de organização de tasks em formato de post-it, que uso mais na versão desktop e deixo o aplicativo só pra receber notificações.

Uso a agenda do Google pra anotar compromissos como reuniões e afins. Uso o Google Keep pra anotar ideias de textos, e-mails de possíveis clientes que encontro por aí, ou tudo que a cabeça não memorizar.

  • Bote a cara no sol: Seja encontrado/a!

Ninguém  pode te dar trabalho se ninguém souber quem você é! Se faça presente indo a eventos da sua área, procurando encontrar pessoas que fazem o mesmo.

Peça recomendações a amigos, avise todo mundo que você conhece que está fazendo seu trabalho freela.

Monte um site mostrando seu portfolio, ou tenha um conta onde possa mostrar como faço no Linkedin, no Proz e na minha página de autora da Worldpackers.

Profissões possíveis para um nômade digital

  • Programador/a (tem trocentas linguagens pra se especializar como Python, Java, C+, C++, é um mundo à parte pra investigar!),
  • Designer,
  • Editor/a de vídeos (institucionais ou próprios, ou os dois),
  • Videomaker,
  • Escritor/a de Viagem (em blog próprio, para os outros, ou os dois),
  • Escritor/a pra Marketing Digital,
  • Contador/a,
  • Professor/a de Idiomas, Música, Matemática…
  • Tradutor/a
  • Infoprodutor/a (vender cursos online)
  • Fotógrafo/a
  • Vender produtos online, como esse casal que entrevistei que vendia itens de decoração, valorizou a loja, vendeu e usou o dinheiro pra viajar!

Eu trabalho como tradutora e redatora porque minha trajetória me favoreceu pra chegar aqui. Mas o esforço pra permanecer nessa área é todo meu 🙂

Então vou contar um pouco sobre isso: A primeira vez que traduzi estava na faculdade. Traduzi o artigo que um professor pediu. Não cobrei, é claro, como acontece com muita gente.

Gostei de fazer isso, já tinha um inglês intermediário pra avançado porque sempre gostei e estudei inglês. A partir disso, já lia artigos em inglês pra faculdade, já assistia séries todas em inglês, tive muita infuência de filmes e música. Aprendi inglês por imersão, já que “forcei” a presença do idioma na minha vida o máximo que pude.

Foi quando chegou a oportunidade de fazer intercâmbio de trabalho na Holanda. Eu trabalhei na Holanda numa empresa de mudas enquanto cursava Engenharia Florestal. Recebia um salário da empresa, então o acordo permitiu que eu conseguisse fazer essa viagem com o dinheiro que tinha disponível. Conto sobre meu trabalho na Holanda nesse post. Conto sobre mais intercâmbios de trabalho nesse post.

Quando voltei do intercâmbio decidi começar a divulgar trabalho de professora de inglês e tradutora, assim fui me envolvendo com pessoas da área e adquirindo contatos.

Em 2016, fui indicada para um emprego em Curitiba em um escritório de tradução da área de patentes. Foi aí que comecei como tradutora técnica.

Depois que saí do escritório trabalho com freela de tradução para a Worldpackers e para outros clientes que vem através de indicações, do Workana e do Proz.

Onde procurar cursos para ser nômade digital

Lynda.com é um site de cursos, que agora pertence ao Linkedin.

Team TreeHouse é um site pra quem quer aprender Programação e tem mais de 300 cursos!

Outro site pra aprender programação é o Code Academy.

O tutorialspoint.com é uma enciclopédia vasta! Você pode ler sobre tudo desde HTML, Java, PHP e outras linguagens, além de ter aulas de Computer Science e Big Data também nesse pacote. Pra quem tá bem no começo e quer entender o básico, é muito bom.

Falando nisso, o tutorial de HTML da W3Schools tem me ajudando muito a entender mais sobre isso.

O Udemy é um dos meus sites preferidos pra cursos, pois tem de tudo! Estou fazendo curso de Digital Marketing, Photoshop e WordPress pelo Udemy!

No Youtube, o Casal Partiu ensina muita coisa sobre nomadismo e trabalho remoto, de um jeito fácil e didático. Eles também escreveram um livro sobre nomadismo digital.

O Coursera é outra plataforma de cursos gratuitos bem legal.

O HubSpot Academy tem cursos voltados pra área de Marketing (inclusive Marketing Digital).

Quero ser tradutora/tradutor por onde começar?

Tem vários jeitos de começar a ser tradutora/tradutor. Eu comecei a ser tradutora por acaso, porque meu ambiente propiciou, mas continuar sendo e fazer a pós foi uma decisão para tornar isso uma carreira.

Tem um site que pode te ajudar a ter muita informação sobre ser tradutor iniciante, que por sinal se chama Tradutor Iniciante! hahahah

Sites para procurar trabalho remoto ou como nômade digital

Tem muitos sites para encontrar freelas, mas ao mesmo muitos são saturados! Compensa mais, às vezes, pagar por uma membership num site mais recluso ou nichado, do que ter contas em dezenas de sites de freela gratuitos e ficar esperando uma oportunidade boa aparecer, o que pode demorar demais.

O pior inimigo na vida do freela é a demora! Não é do nada que você estabelece clientes, ou consegue uma parceria com uma empresa que gosta do seu trampo. Não é fácil conseguir, e não é fácil manter! Mas, na minha opinião, conseguir está acima na categoria de dificuldade!

Por isso, coloquei aqui todos os sites que conheço pra conseguir trabalho remoto (principalmente de tradução e redação, que é o que eu faço).

Se tiverem sugestões de site deixem nos comentários!

Ainda não sou nômade digital, tenho períodos de nomadismo

Até o momento me considero semi-nômade. Ainda tenho casa, ainda tenho carro, ainda tenho uma bike linda que não quero abandonar. Tenho um dog que é uma pessoa incrível, você tem que conhecer.

Eu gosto do meu canto, acho que vale a pena ter um lugar pra onde voltar. E me sinto muito bem quando esse lugar tem tudo do jeito que eu amo, feito de mim pra mim. Me dá uma sensação de completude chegar em casa e ver que aquele papel de sonho de valsa que larguei em cima do sofá quando saí viajar ainda está lá no mesmo lugar. Só eu vivo aqui, só eu mexo aqui.

Ter meu espaço é fundamental pra minha saúde mental, me dá um colo pra onde ir quando o mundo fica pesado pros meus sentidos. Enfim, tô me tornando poética, isso é o quanto eu amo ter meu canto.

Mesmo assim, considero meu estilo de vida mais minimalista do que a maioria dos meus amigos. Não tenho celular caro, nem carro caro, eu compro pouquíssima roupa e quando compro é no brechó, tenho a mesma bike desde que ganhei uma que é perfeita e não troco por nada, prefiro conservar uma peça só de uma coisa que gosto do que ter várias coisas! Com algumas mudanças de estilo de vida consigo guardar mais dinheiro e ter uma renda que permita trabalhar enquanto viajo.

Trabalhar enquanto viaja é estar sempre de férias?

Essa é uma afirmação comum de quem vê de fora. E eu nem ligo. Tem muitos amigos que já me falaram algo como: “queria ter o seu emprego, só viaja”. Hmmmm…Na verdade não é bem assim.

Tudo depende do seu conceito de férias. É que a grande maioria das pessoas viaja uma vez por ano, ou talvez duas. As pessoas trabalham e pagam as férias, que geralmente incluem hotel, comer fora, passeios, presentes etc.

Quem tem um trabalho levemente mais flexível consegue tirar férias com maior frequência, ou fazer parte do seu trabalho de casa (ou de qualquer lugar, ou seja, até de uma praia do caribe). No meu caso, trabalho de casa e também trabalho viajando.  Tenho uma residência fixa e aprecio muito ter um “lugar pra voltar”. Talvez um dia isso mude, talvez não.

E sim, eu amo meu trabalho. Cansa, mas é da hora.

Como eu economizo pra viajar com mais frequência

Eu viajo com bastante frequência e tiro períodos geralmente maiores do que tirava quando trabalhava em escritório. Por exemplo, na última viagem fiquei em Aracaju por 20 dias. Eu não posso me dar ao luxo de ficar 20 dias sem trabalhar, a não ser que eu planeje tirar férias de 20 dias e guarde dinheiro pra isso. Como consigo viajar mais barato e trabalhar na viagem, eu ainda viajo mais, sem ter que reservar uma grana enorme só pra isso.

Hospedagem

Devido à flexibilidade de não ter um lugar fixo pra trabalhar, eu posso viajar pra um lugar novo ficando em Couchsurfing ou na casa de amigos, sem pagar pela hospedagem (só pagando meu aluguel lá de casa, do mesmo jeito que já pagaria se estivesse parada lá).

Se nenhum amigo ou Couch pode me receber, procuro hostels ou projetos na Worldpackers / Workaway / WWOOF, e assim consigo não pagar hospedagem do mesmo jeito. Falei sobre mais sites de hospedagem alternativa aqui. Leia mais sobre isso no meu Guia completo sobre Voluntariado em Ecovilas, feito especial pra Worldpackers. Leia sobre minha experiência trabalhando numa fazenda na Bélgica aqui.

Comida

Gastos com comida? Vou ao mercado e compro, cozinho, da mesma forma que cozinharia em casa. Os gastos dificilmente vão ser muito diferentes, pois eu me adapto ao local onde estou e como o que as pessoas comem. Na China, eu comia tanto Noodles que bastou pra vida toda. Era macarrão de arroz com legumes, macarrão de arroz com carne, macarrão de arroz com carne e legumes. Comer como os locais torna sua refeição muito mais barata.

Passagens Baratas

Eu procuro sempre as opções mais baratas de transporte no destino que escolhi. Por exemplo, quando morei na Holanda pela segunda vez conheci as companhias aéreas low-cost, que conto nesse post sobre transporte barato na Europa.

Também fiz um super post enorme com todas as dicas pra comprar passagens aéreas baratas especialmente pra Worldpackers.

Estilo de Vida

Já abordei esse assunto em outro post, falando sobre como eu diminuo gastos do dia-a-dia cortando alguns “luxos”. Os exemplos mais fáceis são:

  • diminuir o número de roupas que se compra em geral,
  • ter peças-chave que combinam entre si e ter menos peças,
  • cortar o spotify ou dividir com alguém,
  • cortar o netflix ou dividir com alguém,
  • cortar a manicure (peça pra sua amiga pintar sua unha!),
  • cortar o cabelereiro (eu tenho cabelo tingido, mas faço tudo em casa – fé nos tutoriais do youtube)
  • sair menos quando estiver em casa (beber e comer fora custa caro!)

A Apure Guria fala muito bem sobre economizar pra viajar aqui.

Espero que esse post tenha ajudado a pelo menos dar uma luz sobre o mundo do trabalho remoto e nomadismo digital. Agora é se informar e conhecer xeretar todos os sites, mão na massa!

Tem mais dúvidas? Deixe um comentário!

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Engenheira, tradutora e criadora de conteúdo. Gosta de falar de viagem barata (mochilão), dicas de intercâmbio alternativo e é uma caçadora incessante bolsas de estudo. Em 28 anos de vida, fez 4 intercâmbios, conhece 20 países (por enquanto), e já morou em: Holanda, Alemanha e China.

2 thoughts on “Minha experiência com nomadismo digital sendo tradutora e redatora

  1. Primeira vez que “cai” no seu blog e amei. Adorei suas colocações e compartilhamentos de informações. Desejo muuuuuito sucesso pra você. Você foi a inspiração que eu estava buscando.

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