Virando Gringa

O professor de física que largou tudo e foi para o Butão!

O nosso entrevistado de hoje é o Wagner, autor do blog Mochilão a Dois, junto com a esposa e também autor do The World is a Windmill. 

Ele tem 31 anos é físico e Dr. em meteorologia. Morou na Europa por 16 anos, 10 na Irlanda e 6 na Inglaterra e depois no Brasil para ser professor em uma escola britânica em São Paulo. Atualmente, tomou a decisão de sair de São Paulo e ir para o Butão! Ele foi primeiro, a esposa depois.

professor de física brasileiro larga tudo e se muda para o butão

  • Quando ouvimos a frase “Eles se mudaram para o Butão”, a primeira coisa que vem à cabeça é: por quê?! Conte um pouquinho pra gente sobre o começo dessa decisão, por exemplo, o que você fazia no Brasil, se foi com a família toda (tem filhos?), e qual foi o turning point pra efetivamente decidir ir.

Então, talvez ouvir essa frase não seja algo tão comum assim, né? Dado que só tem dois brasileiros no país inteiro! O Butão não e o primeiro país onde eu vivi. Passei a maior parte da minha vida fora do Brasil, enquanto quando a oportunidade surgiu, dependeu mais da minha concordância da minha esposa, pois não viria sem ela.

Eu tenho a profissão perfeita para quem quer conhecer o mundo: Sou professor de física, uma das profissões com mão de obra mais em falta do mundo. Existe déficit de professor de física no mundo inteiro, então isso abre muitas portas para quem quer morar fora. Eu dava aula uma em uma das melhores escolas internacionais do Brasil, a St. Paul’s. O pessoal da St. Paul’s foram dos primeiros a me incentivarem a ir, inclusive a diretora e meus superiores!

  • O que te levou a tomar essa decisão? E como sua família reagiu?

Poxa, quem tem a oportunidade de vir morar num pais tao único e ainda tao intocado quanto o Butão? Quando eu e a minha esposa decidimos finalmente vir, a decisão acabou sendo fácil. Nossa família nos deu suporte desde o começo. Acabamos falando para eles só quando a minha entrevista de emprego era quase certa. Minha esposa ainda não chegou, mas já esta chegando!

  • Se a oportunidade aparece, precisamos agarrar mesmo! E as condições de vida e trabalho no Butão foram mais atrativas pra você do que as condições que teria no Brasil?

Isso é muito relativo. Aqui, eu moro no meio da floresta. Ai no Brasil, tínhamos praticamente duas casas: A minha kitinete em São Paulo e o apartamento da minha esposa em São Jose dos Campos.

Aqui, eu saio de casa, deixo a porta aberta, volto e nada acontece.

O pessoal na rua, antes me via como turista, mas agora já estou sendo mais reconhecido, então não estou mais sendo tratado como turista, o que é uma maravilha. Condições de trabalho… você quer dizer salário? Tempo de trabalho? Isso depende muito. Aqui eu trabalho bastante, mas o trabalho aqui condiz muito mais com a minha personalidade e o que queria da minha vida profissional.

  • Falando de forma geral, a cultura asiática costuma ser bastante hierárquica e valorizar o respeito aos superiores. Experimentei isso na China, país vizinho. E você, sente uma hierarquia forte dentro do seu trabalho?

Bastante. As vezes até demais. O Butão e um país onde até o tamanho da gola do seu goh (vestimenta nacional butanês) tem significado. Até as cores usadas tem isso. E tudo isso tem a ver com hierarquia e sua posição na sociedade. Por exemplo, eu sou doutor em meteorologia, então meu título já vem com um peso a mais.

Geralmente, se referem a mim como Lopen (“O ensinado” ou, literalmente, “o rei do conhecimento”, pronunciado “Liuben”). Lopen Wagner, ou Lopen Neto. Chega a ser até um pouco esquisito, e esse título é usado para os professores mais antigos ou monges. E muito diferente do que estamos acostumados no Brasil.

Butão, o país mais feliz do mundo

Com essa hierarquia, vem um respeito implícito que e levado muito a sério aqui. Como eu disse, aqui tudo tem significado, até o angulo do arco que seu corpo faz quando cumprimenta alguém. Quanto mais baixo, mais alta é a posição social da pessoa.

  • O Butão é visto como inacessível por muitos estrangeiros e em 2011 foi considerado um dos países menos visitados do mundo. Você considera que é um país isolado “demais”? Você se sentiu bem recebido por aí até o momento?

Eu me senti extremamente bem recebido aqui. Me sinto muito respeitado aqui. E sobre o país ser um dos menos visitados do mundo, para ser bem sincero, espero que continue assim. Custa muito caro o país tem um turismo excessivo, principalmente por mochileiros (sou culpado disso), pois geralmente não gastamos quase nada e isso não e vantajoso para um país, ainda mais um país ainda tao virgem quanto o Butão.

Liberar o turismo aqui causaria mais dano do que beneficio, não só financeiro, mas cultural.

Os Butaneses viram o que aconteceu com o Nepal e Índia e não querem que a historia se repita aqui. Aqui, está na constituição que 60% do pais tem que estar coberto em floresta e 50% sejam área de proteção permanente. Turismo descontrolado não ajudaria muito a continuar mantendo essa linda meta.

Está na constituição do Butão que 60% do pais tem que estar coberto em floresta e 50% sejam área de proteção permanente

Está na constituição do Butão que 60% do pais tem que estar coberto em floresta e 50% sejam área de proteção permanente

  • O idioma tem sido uma barreira, ou não? A população tem conhecimento de inglês?

Educação no Butão é bilíngue, então uma boa parte da população alfabetizada tem um nível bom de inglês, então não existe problema para turistas. Para mim, isso e um problema, pois me deixa um pouco preguiçoso para aprender o idioma, mas já aprendi o alfabeto e estou aprendendo a ler. O idioma tem muito poucas palavras, mas tem certas dificuldades. Por exemplo, você pode, literalmente, empilhar letras. Darei um exemplo:

A letra “nya” e escrita ཉ, enquanto “rnya” se escreve རྙ, onde o “r” (ར) e colocado em cima da letra. Já se você quiser trocar de rnya para rnyi, རྙི, onde o “til”, troca o “a” para “i”. Apenas um exemplo para ilustrar as diferenças. Mas ainda sou bem principiante. Tenho que me policiar mais.

  • Neste primeiro mês vivendo por aí, quais são as maiores diferenças que você notou entre os dois países? Tanto de trabalho como culturalmente, as comidas, o modo como se divertem, o modo como se vestem…

Nossa, a resposta pode ser curta… não tem muita semelhança. O Brasil é um país bastante aberto, que em muitos aspectos, adotou várias culturas para fazer a sua própria. Não vou generalizar, pois já viajei bastante o Brasil para saber que não existe um Brasil só, mas, por exemplo, todo mundo fala português. No Butão, existem varias línguas, uma completamente divorciada da outra.

A roupa nacional masculina se chama goh e kabney e a feminina se chama kira e rachu. Eles são, por lei, o vestimento formal. Então você não pode entrar em alguma repartição do governo vestido de calca e camisa. Você tem que usar. O que também mostra um respeito pelo governo, coisa que já perdemos há muito tempo (e com muita razão). Tem muitas outras coisas, mas acho que precisaria de 5 mil palavras para falar só um pouco!

A questão da comida, bem, tudo aqui tem pimenta e arroz. TUDO. Até no café da manhã, geralmente tem pimenta e arroz. É muito diferente! Talvez ate um pouco difícil de acostumar, pois é uma comida muito forte.

  • E os países vizinhos? Você já foi conhecê-los?

Bem, já conhecia alguns mais longe, como Tailândia e Vietnam, mas ainda tenho muito pra conhecer no Butão antes de me aventurar pela Índia e China.

  • O que planeja conhecer nos 5 anos que ficará por aí?

O máximo que o tempo permitir. Geralmente, sou bastante ativo e gosto de sair para caminhar nos finais de semana. Aqui, sempre tem algo muito bonito para se ver sem precisar ir muito longe. É um país fantástico nesse aspecto.

  • É fácil viajar pelos arredores tendo o Butão como “base” principal? Queremos saber se é fácil, mas principalmente queremos saber se é barato! haha

Ter o Butão como base eh quase impossível. Custa US$265 por dia para um turista sem ser convidado por um morador, ficar aqui. E a linha aérea local não viaja para muitos lugares. Então, sem chance! Pelo menos eu não teria!

  • Tem algum recado pros leitores em relação ao butão? 😀

Meu, todo mundo precisa conhecer esse país maravilhoso, com pessoas maravilhosas! Aproveitar que ainda existe um pedaço do mundo relativamente intocado pelas coisas que sempre achamos ser bom, como bens materiais, basear nosso sucesso pelo tamanho do nosso holerite etc… Estou aprendendo a priorizar vários aspectos da minha vida e o que eu realmente quero dela. O primeiro passo eu já dei, me casei com uma mulher linda. Agora falta o resto!

Poderia estar em qualquer lugar do mundo hoje, mas escolhi o pais que mais pode me trazer felicidade! Afinal, não é a toa que aqui é o país mais feliz do mundo!

E aí aguçou a curiosidade? Acompanhe o blog do Wagner e da Liany e siga esse casal de mochileiros pelo Butão!

Butão, o país mais feliz do mundo

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