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Ryanair ameaça funcionários que não batem ‘meta de vendas’ dentro da aeronave

Desde a crise com mais de 400 mil passageiros afetados por cancelamento massivo de vôos, a Ryanair vem sofrendo com uma péssima administração. A crise na Ryanair continua, agora com funcionários da “cabin crew”. Empresas de recrutamento alertam os funcionários para que vendam mercadoria “suficiente” em vôos ou correm o risco de passar por “procedimentos disciplinares”.

A tripulação de cabine da Ryanair foi informada de que eles poderiam enfrentar “procedimentos disciplinares” e ter suas horas de trabalho mudadas à força, a menos que eles vendessem mais perfumes e cartões de loteria dentro da aeronave.

A companhia aérea irlandesa já negou que a equipe era pressionada para atingir metas de vendas específicas, depois que surgiu um boato de que encorajavam os funcionários a vender produtos em troca de bônus.

Mas memorandos enviados aos membros da tripulação por empresas de recrutamento que fornecem pessoal à Ryanair – vistos pelo The Guardian – alertam para conseqüências para aqueles cuja venda média por vôo caia abaixo do orçamento planejado pelo Ryanair.

Os memorandos destacam 10 produtos, incluindo bebidas, produtos de confeitaria, cosméticos e scratchcards (bilhetes de raspadinha), listando a porcentagem de vôos em que os membros da tripulação de cabine individual não venderam o suficiente.

A equipe de cabine também foi criticada por muitas vezes não vender mais de € 50 (aproximadamente R$200) de mercadoria, indicando um objetivo fixo de vendas.

As cartas, uma da agência de recrutamento chamada WorkForce International Contractors e outra de uma agência que não pôde ser nomeada porque não pode se manifestou para comentários, apresentam uma formulação quase idêntica.

“Este desempenho não é aceitável e é claro que você simplesmente não está fazendo o seu trabalho a bordo”, afirmam os memorandos, avisando os membros da equipe que tiveram “desempenho drasticamente inferior”.

Os membros da tripulação também foram informados de que suas vendas estavam sendo “monitoradas de perto” e que, se não vendessem mais bens, “serão tomadas novas ações e você poderá estar sujeito a procedimentos disciplinares“.

O manual operacional da Ryanair para a tripulação de cabine afirma que sua função é “principalmente a segurança dos passageiros”.

No início deste ano, a companhia aérea negou colocar qualquer “pressão” na equipe para fazer as vendas depois que um memorando separado foi vazado, instruindo a equipe de cabine a vender um número fixo de refeições, bebidas e raspadinhas.

Mas, além da ameaça de “procedimentos disciplinares”, os novos memorandos mostram que a equipe foi informada de que a Ryanair poderia forçar funcionários que não atingiam metas a preencher lacunas de horários de outros funcionários em curto prazo, em vez de ter horas de trabalho fixas como os outros colegas.

Em 2015, a Ryanair concordou com um novo acordo de pagamento e registro com as agências que selecionam seus funcionários, sob o qual eles trabalham por cinco dias e têm três dias de folga.

Mas a tripulação de cabine disse que a Ryanair não tinha “nenhuma obrigação” de fornecer essa lista se os objetivos de vendas não fossem cumpridos e que eles poderiam ser chamados a trabalhar em horários arbitrários semanalmente.

Nos memorandos ainda era dito que o padrão de horário fixo seria restaurado se os membros da equipe aumentassem o desempenho das vendas, a equipe foi informada. O sindicato irlandês Impact, que mostrou uma cópia de uma carta, disse [tradução livre]: “Isso faz uma leitura sombria. O papel principal da tripulação de cabine é a segurança do voo, as vendas em vôo são um papel secundário“.

“Esta correspondência sugere uma abordagem grosseira do gerenciamento de desempenho e revela a vulnerabilidade de pessoal individual se eles não atingirem os alvos que foram definidos”.

A venda de alimentos, bebidas, perfumes e outros itens é uma parte importante da renda da Ryanair, oferecendo US $ 1,5 bilhão em “receita extra” em 2016. O número representa 27% da receita total da companhia aérea e disse no ano passado que quer elevar essa proporção para 30%.

Em resposta ao The Guardian, a Ryanair disse que não tinha visto o memorando, mas acrescentou: “Embora não possamos comentar em detalhes sobre a carta do WorkForce, claramente não estabelece quaisquer metas que devem ser cumpridas“.

“Como a carta deixa claro, qualquer indivíduo, que de forma consistente e marcadamente, tenha desempenho inferior aos colegas, pode enfrentar processos disciplinares se não houver uma melhoria significativa e sustentada”. “Nós esperamos que os funcionários que não tem performance como esperada melhorem, e eles recebem tempo e treinamento para fazê-lo. O que o seu jornal faz com seus seus funcionários?”.

Membros de um grupo privado do Facebook para a tripulação de cabine de Ryanair, que pediram para não serem identificados por medo de represálias, expressaram sua desânimo com o tom da carta.

“Eles não se importam se você deixar a empresa, pois cada um de nós deixa eles podem substituir com 20 novos jovens que vêm da escola e que trabalham como eles querem”.

As práticas da Ryanair com seus empregados já estiveram em destaque em outros posts, quando uma disputa com pilotos que estouraram após cancelamentos em massa causados por falha da empresa levou a declarações infelizes do CEO. Falamos disso neste post.

A disputa continua, com os pilotos formando um sindicato para disputar os termos de trabalho na justiça com o CEO, Michael O’Leary.

Também surgiu notícia que os pilotos da Ryanair estão sendo investigados pela HM Revenue & Customs sobre estruturas de emprego complexas que lhes são impostas pela companhia aérea, como falta de folga.

Fonte: The Guardian.

Tradução Livre: Juliana Arthuso

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