Tradução voluntária: vale a pena fazer?

A tradução voluntária pode ser muito boa para formar um portfolio quando não temos experiência, mas, é importante saber a diferença entre o voluntariado e trabalho gratuito.

É claro que podemos fazer traduções voluntárias ao longo de toda a carreira conforme as circunstâncias, mas é comum que se faça isso no começo para ganhar experiência e acumular material traduzido por você para mostrar para os clientes.

O que é tradução voluntária?

Basicamente, é traduzir qualquer material de forma gratuita em troca de um retorno alternativo. Por exemplo, pode ser a tradução de um resumo para revista científica – comum na faculdade.

Pode ser um artigo inteiro (acadêmico ou jornalístico), um documento para o intercâmbio de um amigo, um texto pra faculdade que a sua prima pediu, um livro daquele amigo que sempre quis ser escritor…são muitas possibilidades 🙂

Tudo que for feito de graça pode ser, sim, uma chance de mostrar seu trabalho. Porém, se você está lendo esse post porque quer ser tradutor freelancer – lembre-se de que tradução é o seu emprego agora, então existe um limite do quanto deve fazer de graça, afinal o objetivo final é ganhar por isso.

Então tome cuidado quando alguém vem te pedir uma tradução de graça só “pra divulgar seu trabalho”. Pense sobre onde vai ser divulgado, para quem e como, pois a sua imagem vai estar vinculada àquele conteúdo.

Você poderá usar aquela tradução voluntária em seu portfolio? Sentirá orgulho de mostrar para um potencial cliente, como uma agência internacional ou um cliente direto?

Em bom português, não adianta traduzir um material que vai ser visto por pessoas que não sejam seu público-alvo; que fale de um assunto que não tem nada a ver com seu perfil; que não agrega valor ao seu CV.

Ok, então o que posso receber em troca de uma tradução voluntária?

Desde o começo, todo tradutor precisa valorizar suas horas de trabalho. Traduzir de graça sem nenhum retorno acaba desvalorizando toda a classe.

É claro que muitas vezes podemos fazer tradução voluntária por amor mesmo, por exemplo, ajudando uma ONG que cuida de cães e gatos abandonados na sua cidade 🙂

Além da satisfação, em troca de uma tradução voluntária você pode receber: divulgação do seu nome/site/redes sociais, revisão de um tradutor mais experiente sobre seu trabalho, uma aula de graça sobre algo que te interessa como um novo idioma, uma nova CAT tool, etc.

E como encontrar traduções voluntárias enriquecedoras?

O que chamo de enriquecedor é algo que mostra sua capacidade de traduzir. Por exemplo um conteúdo que tem um assunto complexo, ou uma linguagem específica, um público-alvo desafiador.

O meio acadêmico oferece boas oportunidades para traduções voluntárias sobre assuntos complexos. Por esse meio você pode ter seu nome publicado em um artigo, revista ou livro, o que é ótimo para enriquecer seu portfolio.

Blogs jornalísticos, sites de viagem, de moda e diversos outros nichos podem ser uma oportunidade de divulgar seus serviços pra um público específico.

Organizações não-governamentais também sempre precisam de ajuda e geralmente produzem conteúdos ricos. Por exemplo, realizei algumas traduções voluntárias para a Water Science Policy (WSP), que é uma organização ambiental sobre o uso e conservação da água.

Como me formei em Engenharia Florestal, conheço muita gente que trabalha com meio ambiente e busco meus contatos como formar de aumentar o portfolio de tradutora. Os conteúdos nesse caso falam sobre leis de conservação da água no mundo todo, além de ter explicações sobre conservação, conceitos de ecologia e outro diversos assuntos. É um tremendo exercício de tradução!

Em troca da tradução voluntária, meu nome fica em todos os artigos, além de links para meu perfil do LinkedIn, site e outros contatos em redes sociais. Com isso, todo mundo que ler o artigo vai me conhecer. Então o que recebi em troca foi divulgação em um meio altamente especializado – o nicho onde quero encontrar meus clientes.

Pra ser sincera…No começo, você não precisa pensar em nicho. Eu traduzo todo tipo de material até hoje e sou tradutora há cinco anos. Talvez isso mude., talvez não. Os boletos não param!

Mas o nicho é algo que se constrói a longo prazo, não tem tanta relação com pagar suas contas, mas com a construção da sua autoridade, ou também pelo que você quer “ser lembrada”.

Nichar as suas traduções voluntárias também é um ótimo jeito de comprovar suas especialidades, mesmo sem ter “trabalhado oficialmente” ainda (ganhado $$). Quando começar a procurar trabalhos de tradução nos sites como o Proz, você vai notar que as especialidades também fazem parte da escolha das agências!

Por isso, pense sobre os seus contatos e quem pode precisar de uma ajudinha sua, ou comece procurando ONGs, associações ou qualquer pessoa que precise de traduções voluntárias na sua rede.

Tradução voluntária: onde encontrar
  • A Water Science Policy está procurando tradutores voluntários

A WSP é uma revista independente que oferece conteúdo original e multilíngue sobre a água para um público global. Os conteúdos vão desde economia até clima, saúde, natureza e questões da sociedade.

Segundo eles, o objetivo é garantir que os leitores curiosos sobre a água – independentemente de seus recursos financeiros ou técnicos – possam acessar análises instigantes para formar suas próprias opiniões sobre os maiores desafios que o mundo enfrenta hoje.

Os autores incluem defensores da água, acadêmicos, profissionais, fotógrafos e contadores de histórias, que publicam artigos de opinião, editoriais, comentários, resumos de políticas e documentários fotográficos na plataforma gratuitamente. Confira no site da WSP.

  • A plataforma Amara, que pertence ao TED, tem uma seção somente pra tradutores – somente legendas
  • Translators Without Borders
  • ONU online volunteers

No meu curso de tradução online ensino como usar a Amara, além de falar sobre CAT Tools gratuitas, como fazer um com currículo e tudo que você precisa saber pra começar:

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