Virando Gringa

[Guest Post] Viajando de Eurolines: a saga para Budapeste (parte 2)


Já era possível avistar a placa indicando Gyor, uma cidade importante na Hungria e distante uns 120 Km de Budapeste quando o Jack Sparrow da Escandinávia parou novamente no acostamento, sem motivo aparente. Vale lembrar como estava linda aquela manhã:
Dá frio só de olhar.

 

“Os motoristas pararam o ônibus, desceram e ficaram um breve tempo do lado de fora, procurando algo na traseira do veículo. Todos estavam inquietos e falando húngaro ou qualquer outro idioma que não fosse inglês, espanhol, francês, português e nem holandês! Já conseguia pensar no pior e imaginar que a única água quente que eu sentiria em Budapeste seria aquela do chuveiro do hostel, já que visitar algumas das famosas piscinas termais húngaras já parecia fora de cogitação.

“Os motoristas voltaram, passaram instruções em húngaro e voltaram para fora do ônibus. Eu não precisava falar aquele idioma para entender o que estava acontecendo. Pelas feições de todas aquelas pessoas, uma coisa era certa: o “Boeing de rodas” da Eurolines estava cansado e não queria mais brincar de cruzar a Europa! Felizmente, a passageira que estava do meu lado, austríaca, falava um pouco de inglês e me disse o que estava acontecendo realmente.  O ônibus havia quebrado e então teríamos que esperar por um novo veículo vir nos socorrer.
Ali vieram todos os sentimentos: raiva, agonia, arrependimento, incredulidade… Entretanto, eu estava tão cansado que não conseguia nem reagir. Até aquele momento, já havia passado mais de 25 horas que eu havia deixado Utrecht, sem contar as quase 2 horas de atraso na Holanda e ainda faltaria mais uma hora e meia para chegar ao destino final. Esperamos 2 horas dentro do ônibus até um novo chegar de Viena, muito melhor e maior (não era da Eurolines…). Embarcamos no meio da estrada e da neve e retomamos nosso caminho. Depois de quase 2 horas, uma parada num bom restaurante, finalmente, chegamos em Budapeste. Felizmente e por incrível que pareça, apesar de minha estadia ter sofrido uma boa encurtada, eu consegui visitar vários pontos turísticos e conhecer até que bem a capital húngara!
De volta pra casa
A volta foi longa também, afinal o trajeto foi o mesmo, porém numa situação muito melhor. Primeiro porque eu já estava vacinado e preparado para o pior, mas principalmente porque a viagem como um todo foi muito mais tranquila. O ônibus era melhor, menos pessoas, clima mais agradável, sem imprevistos. Enfim, uma viagem que eu gostaria de ter tio na ida. Porém, essa experiência foi muito importante para tirar algumas reflexões:
Assuma riscos: claro que eu não indico ninguém a fazer o que eu fiz. Se fosse um filho meu, menos ainda. Eu poderia ter sofrido algum tipo de acidente ou problema e ninguém poderia me ajudar. Meus pais não tinham ideia de onde eu estava, no meio da Europa. Mas eu tenho certeza de que essa experiência de superação e aprendizado foi muito importante para meu amadurecimento e crescimento pessoal, sem falar que me tornei um contador de histórias (reais).
– Dê valor à vida e às oportunidades: quando estamos bem, confortáveis, sem nenhum tipo de problema e risco, é comum esquecermo-nos de agradecer pelo que temos ou conquistamos, seja a qualquer entidade que você acredite ou ao destino, ou aos outros ou a si próprio. Muitas vezes apenas reclamamos mesmo em situações não tão ruins ou difíceis. O que era para ser só uma viagem longa, porém rica em cultura e diversão, virou uma sucessão de momentos, estranhos, inesperados, ruins, bons, inesquecíveis. Às vezes, temos chance de refletir sobre nossas vidas e o quanto somos iluminados pelas nossas capacidades e histórias. Tudo é um aprendizado! Você não precisa fazer uma viagem dessas para fazer sua reflexão.
– Viaje sozinho: depende de cada um, depende do destino… Eu já fiz diversos tipos de viagens e todas foram positivas. Às vezes, viajar sozinho é importante para você seguir seu tempo, aproveitar uma cidade no seu ritmo, ficar livre para conhecer lugares e pessoas… Enfim, o que eu posso dizer é que você deve viajar! Alguns podem se sentir julgados por outras pessoas, tipo “ele não tem amigos” ou “ela não tem namorado”… Bobagem! Cada um deve seguir sua vida, sem prejudicar a dos outros, porém, sem precisar ficar justificando suas decisões! Simples assim! Cada um tem sua história que se tornará mais rica a cada viagem, sozinho ou acompanhado.
Concluindo…
Por fim, quanto a Eurolines. Tem gente que odeia, tem gente que gosta. Eu já fiz várias viagens com ela para outros destinos, como Berlim e Zadar, e tive momentos “únicos” também. Histórias boas e ruins, que podem ser contadas em outros artigos.
Sinceramente, seja Eurolines ou outra companhia, não indico ônibus para viagens de mais de 5 horas. Para isso você tem as companhias aéreas low-cost. Claro que depende de cada viajante, disponibilidade de passagens, preços, dentre outros fatores. Acredito que tudo deva ser posto numa balança e analisar o custo-benefício de cada opção. E obviamente, a vontade de se aventurar e ter histórias para contar. 😉
Autor: Guilherme Amorim Franchi, 22 anos, prestes a concluir graduação em Engenharia Agronômica na ESALQ/USP. Durante a graduação, entre 2012/2013, ele fez intercâmbio para a Holanda, onde estudou na Wageningen University and Research, junto com a autora deste blog 🙂 

 

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