Virando Gringa

[Guest Post] Viajando de Eurolines: a saga para Budapeste


Meu amigo Guilherme fez uma viagem, no mínimo, inusitada para Budapeste (Capital da Hungria, no leste Europeu), e devo dizer que a viagem dele foi bem mais movimentada que a minha!

Em termos de mochilão, o Gui já tem carteirinha. Ambos topamos 21 horas de ônibus, passamos por frio e neve, mas ele acabou ficando mais de 25 horas dentro um ônibus…e passou por toda uma experiência extra…veja só, nas palavras dele:
“Gostaria de compartilhar um momento da minha vida, que hoje eu encaro como um desafio vencido, uma lição aprendida e uma situação engraçada…para não dizer assustadora, que se eu pudesse voltar no tempo, pensaria algumas vezes antes de tomar aquela decisão!
Dentre as inúmeras coisas que eu fiz, eu viajei bastante (rs), e é uma dessas viagens que quero compartilhar com vocês!
A viagem do Guilherme envolveu até Pastor-Alemão que é alemão de verdade hahahaha
Detalhe: Revista das malas pelo policial alemão. Foto tirada pelo Guilherme antes de descer do ônibus para ser revistado.

 
“Por volta de 2 anos atrás (2012), eu estava prestes a viajar para Budapeste, na Hungria. Uma cidade linda, cheia de pontos turísticos, construções imponentes, ótima culinária, preços bons e um tanto gelada antes do inverno. 
O anúncio do ministério de turismo deles é bonitão né?
“Para chegar até lá, havia três formas mais conhecidas de ir: avião, mais caro, porém mais seguro e rápido; trem, barato se comprado com antecedência (não foi meu caso), porém mais demorado que o avião, e ônibus, o mais barato, porém o mais demorado e mais inseguro. Adivinhe qual eu escolhi?! Sabe aquela máxima, dentre tantas outras, “o barato pode sair caro”, que nós sabemos o começo, meio e fim, porém insistimos miseravelmente em esquecer? Pois é, ela se encaixa bem na minha história. 
“Mais de um mês antes da viagem eu encontrara uma excelente promoção de passagem ida-e-volta pela Viação Eurolines, saindo de Utrecht, na Holanda, para Budapeste. O preço da passagem era metade de uma promoção de passagem da Ryanair! Leia o post sobre a Ryanair e outras maneiras de viajar barato de avião. 
A não ser que você queira passar uma aventura como o Guilherme, daí compensa visitar o post sobre Global Pass, Companias de trem e Experiências com a Eurolines de ônibus!
voltando… “Eu deveria ter suspeitado rsrs…. Analisei um pouco as possibilidades, pensei nas 21 horas de viagem(!!!), porém o espírito aventureiro falou mais alto! Do momento da compra até o dia da viagem não faltou incerteza, preocupação e até certa vontade de desistir, mas no fim, não foi isso que aconteceu… Ainda bem! Chegou o grande dia! Arrumei minha mochila, cheguei em Utrecht no horário, estava tudo indo muito bem, apesar do frio e da garoa constante daquela manhã….Holanda né! Sempre garoando! Esperei 15, 30, 40 minutos e nada… Fui confirmar se estava no lugar certo. Estava. Outras pessoas também começaram a chegar e ficar preocupadas, afinal, não são comuns atrasos daquele jeito nas terras de Robben e companhia. Holandeses são muito pontuais!
“Depois de quase 1h30, surgia em meio de vários ônibus, o tal Eurolines, com placa da Eslováquia!! Começava a viagem…Primeiro que os dois motoristas quase não falavam inglês e tinham um humor “incrível”, só que não! Um parecia o Mr. Magoo e outro parecia que tinha saído de um conto viking, pois só conseguia ver no seu “rosto” os olhos e cabelo ruivo, além das tatuagens!
“Entrei no ônibus, estava vazio (claro, quantos loucos fazem uma viagem dessa?!), sentei na minha poltrona, ninguém estava sentado ao meu lado até então, fiquei aliviado. Tentei reclinar minha poltrona, nada. Tentei várias vezes e o máximo que inclinava era 5 graus! Mudei de poltrona e nada! Nenhuma reclinava, eu estava prestes a viajar mais de 20 horas literalmente sentado, sozinho, sem remédios, sem nada que fizesse me acalmar… Nessas horas só resta rezar! Comecei a pensar na vida… Enquanto isso, a nau, digo o ônibus, partia rumo ao seu destino.
“A viagem corria bem, conforme o possível, atravessamos a fronteira e passamos para o lado alemão. Aí que a criança chorou e ninguém ouviu... Passados uns 30 minutos da travessia, o ônibus parou no acostamento, num lugar parecido com um posto, uma área aberta, porém não havia nenhuma construção ou sinal de restaurante, e sim, algumas tendas, vários caminhões, carros policiais e guardas fardados acompanhados de seus cães. Ou seja, não havia testemunhas do que poderia acontecer ali!
“Os motoristas desceram, conversaram com policiais um tempo lá fora. Uns 5 minutos depois, voltaram com dois policiais ou agentes do exército falando em alemão com as passageiros. Eu só consegui entender “…blábláblá passport…” Entreguei o passaporte, o agente viu que eu era brasileiro e começou a falar em inglês comigo. Ufa! Ele perguntou de onde eu vinha e para onde eu estava indo. Eu respondi, achando que iria ficar naquela conversinha mesmo, porém ele não devolveu meu passaporte e junto com o outro agente e os motoristas, e mais os documentos dos passageiros, desceram do ônibus. Algo estava errado…
“Era uma tarde inesquecivelmente horrorosa: chuva com neve, vento e um frio de matar pinguim! Eles pediram para descer, com todas as bagagens de mão. Eu e os outros passageiros descemos, caminhamos até uma tenda, onde fomos revistados! Tivemos que abrir todas as nossas bagagens, todos os bolsos e compartimentos possíveis. Eu tirava os pertences da mala e o policial de luvas revistando tudo, roupas, artigos de higiene, toalha, livro, aparelhos eletrônicos… Sem falar nas diversas perguntas. Enquanto isso, outros policiais vasculhavam as malas do bagageiro com auxílio de um cão.
O cãozinho do começo do post!
“Todo aquele procedimento com os passageiros demorou em torno de uma hora. Por pior que fosse aquela situação, pois eu não esperava, nunca tinha passado por aquilo antes, com policiais tão sérios e até apavorantes (Polícia alemã, em geral, dá medo – não precisamos nem explicar porquê né?), não havia problema com ninguém e todos iriam voltar para o ônibus, retomar a viagem tranquila e alegremente…Mas como diria nossso querido Cumpadi Washington: “Sabe de nada inocente!”
“Havia uma última passageira, holandesa, idade semelhante a minha, para ser revistada. Os procedimentos seguiam conforme o previsto, até o policial encontrar uma embalagem. Ele abriu. Ela parecia aflita. Dentro da embalagem havia uns potinhos com cogumelos! Eles conversavam em inglês, então eu pude ouvi-la explicando que ela comprara aqueles cogumelos em Amsterdam (você já pode imaginar o tipo de cogumelo que era…”If you know what I mean…”) e que lá era permitido e tal. Primeiro, a Holanda é um dos países mais liberais que existe deste lado da galáxia. Segundo, cada país tem legislação diferente para diversas situações, e nesse caso, as leis alemãs são muito mais severas do que as holandesas. Óbvio.
Ou seja, algumas coisas consideradas legais, ou pelo menos suportáveis, na Holanda, não são em outros países europeus, como na Alemanha. Sinceramente, eu tive um pouco de pena da menina pelo seu provável destino, apesar de ela ter merecido passar por aquilo, pois ela deveria saber desses assuntos e por ter atrasado ainda mais a viagem do restante do pessoal! Depois de mais de meia hora, de vários policiais conversarem, analisarem o “shitake” holandês e falarem com a menina, eles constataram que o tipo de fungo não era permitido na Alemanha e que ele seria confiscado e a menina ficaria retida por lá. Sinceramente, não sei o que aconteceu com ela, só sei que seguimos viagem sem ela. Quem seria a próxima vítima? O que mais faltava acontecer? Baita clima de viagem gostoso…#sqn
Depois dessa parada para esticar as pernas, seguimos nossa viagem. Fizemos um tour pela Alemanha: Colônia, Dusseldorf, Dortmund, Frankfurt, Stuttgart e Nuremberg.Enfim, esse itinerário pela Alemanha lembrou-me mais tarde um episódio que vivi em Lisboa, que deixo para outro momento. Enfim, passamos pela terra da Oktoberfest (veja nosso post sobre isso!) e chegamos à Áustria.
O clima continuava chuvoso/”nevoso”. Já nem olhava mais para o relógio para não ficar ainda mais ansioso. Segundo minha memória geográfica, deveríamos estar na metade do trajeto, lembrando que faríamos uma parada em Viena (a única que haviam avisado no site…). Chegamos em Viena, com certeza não era uma região muito central, pois eu visitaria aquela cidade de novo e nenhum local vinha a mente quando estive por lá pela segunda vez. (Confira 7 lugares para visitar em Viena!)
“Paramos numa rodoviária da própria Eurolines. Outros passageiros entraram e partimos de novo, rumo à Budapeste (sim, eu ainda estava indo para lá!).
Saímos de Viena, passamos pela fronteira e inacreditavelmente, estávamos em solo húngaro. Quase não acreditava. Estava tão perto! Nada mais de errado poderia acontecer……PÉÉÉÉÉ…WRONG!!
A continução desta aventura você verá no próximo post…

 

Autor: Guilherme Amorim Franchi, 22 anos, prestes a concluir graduação em Engenharia Agronômica na ESALQ/USP. Durante a graduação, entre 2012/2013, ele fez intercâmbio para a Holanda, onde estudou na Wageningen University and Research, junto com a autora deste blog 🙂

 

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